Correspondência Poética

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sem nome


poesia não é pastel
pra sair na hora.
aflora.
além da pressa
e da demora,
no vão do tempo
e da memória.
no substrato da ideia
a imagem
busca o trajeto.

poesia não é projeto
a ser aprovado
por acadêmicos
mal humorados,
inchado de tanto saber.
no bastidor de um gemido,
dançam várias palavras
que trazem algum sentido
ao vazio do texto.

poesia não é pretexto
para comer mulheres.
no tilintar dos talheres,
na dissonância das falas,
no alvoroço dos carros
é que a poesia acontece.

desce e dobra a esquina,
bebe um rabo de galo
acende um velho cigarro
e vai encontrar o poeta
que dorme sob a sarjeta.

poesia não é gorjeta
pra ser dada em sinal fechado.
e esse anjo 
sentado ao meu lado
disse ser poesia
a explosão do silêncio.




O. Augusto 

Visite o blog.
http://oooaugusto.blogspot.com/



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Oficina do Projeto Correspondência Poética na Fundação Julita


Oficina do Projeto Correspondência Poética na Fundação Julita

Dia 01/10/11

das 13hs às 16hs

na Fundação Julita

Rua nova do Tuparoquera, 117
Jd. São Luiz
infos: 8631-2671

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Poesia Infantil

O menino e sua imaginação

Ele era brincalhão
no chão rodava seu pião,
subia no pé de melão
e descia com um na mão

não parava de brincar
até a mãe chamar
pra ele ir descansar


se pegasse um pedaço de madeira
fingia ser um pirata
à velejar em alto mar

na sua imaginação
era um astronauta
a voar num espaço
sem fim..

com o tempo
ele cresceu
mas nunca deixou de
sonhar e imaginar.

Caue Bocato

*Garoto de apenas 10 anos nos enviou sua poesia para ser publicada.

Valeu Caue !!!





CAOS


Há um momento na vida

de terror definitivo,

de fracasso tremendo,

de sangrar a ferida.

Nada rende,

não há remendo,

nem consolo,

nem saída,

luta perdida,

a lágrima não significa,

o amor cruza os braços,

a saudade diz que vai,

e fica.

Poema: Ivone Boechat

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sou Assim

Quando me olho no espelho
me vejo África.
Quando olho pra minha terra,
me vejo gente.
Quando olho para o céu sem limites,
me vejo latinoamericano,
e reconheço a minha história.
Reconheço e identifico minha história.

As páginas do meu corpo,
são pergaminhos cujas letras
se escrevem com sorrisos, lágrimas e cicatrizes.
se escrevem com vida.

Quando duas atmosferas se encontram,
reconhecem-se.
Como a Lua e o Sol
e como o Mar e a Terra, se namoram.

Quando estudamos,
pele com pele, corpo com corpo,
nos reconhecemos,
não pela coloração dos olhos
mas pela modulação do corpo.

Quando conheço a poesia e meu corpo
É que me amo, é que te amo.

Não me perco nas águas narcisistas,
porque a beleza é um ponto e vista.
Por que tudo faz parte de uma equação
Como a Arvore e a Terra: são diferentes e se completam .
Desculpe-me por não aceitar
só beleza europeia e norte americana.
Quando as caravelas aportaram nessas terras
não trouxeram gente, trouxeram ritmo.
Por isso que amo ser bicho vira-lata,
mameluco-sarará-crioulo-doido.
E enquanto você fecha os olhos
vendo patinho feio sem olhos azuis
Eu os abro, vendo o cisne que sou.


poesia de: Luan Luando
 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

cova rasa



o que dizer do hieroglifo
no relato dos egípcios
o atalho de sonhos destituidos?


um dia – quem sabe?
possamos evoluir
em maias ou incas
em tupi-guarani


é na selva que se escolhe o alvo
onde o inconformismo
resolve o saldo


talvez refaça
o caminho das caravelas
e transforme terras antigas
em modernas


na velha guerra
novos soldados tombarão
na faixa de gaza
em nova york
no afeganistão…

Fabiano Nunes
(www.asterisco.zip.net)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

porn of the dead



los muertos se levantan
salen de sus tumbas arañando la tierra
rompen los nichos con los muñones

de los cementerios de avellaneda
de lanús
de general rodríguez
de pilar
de aldo bonzi

son todos del conurbano
los muertos que se levantan

de a poco las calles de los barrios se llenan de caminantes
van todos en la misma dirección
hacia general paz
hacia el riachuelo
hacia el puente pueyrredón

es obvio
quieren entrar a la
ciudad de buenos aires
pero no para usar los hospitales
ni las escuelas
ni para pelarse el lomo en un tacho de basura
ni para venderle drogas a los chicos buenos de almagro
ni a los pelotudos de belgrano

lo que buscan los muertos
que son millones
es cogerse a todos los que se crucen

y después comérselos
claro

entonces entran como un ejército
de babosos medio rotos
olorosos
muertos
que son casi todos
argentinos y argentinas

patean las puertas de los edificios
suben las escaleras
entran en cada departamento
violan y matan a todos
se llevan las tripas de suvenir

a algunos les cortan la pija
después de romperles el culo con alguna botella rota
y los dejan desangrarse
son creativos estos muertos
son casi
artistas

a los chicos
en general
después de violarlos
los despedazan al estilo tupac amarú

parece que eso los divierte
y cada vez se ríen más fuerte

la ciudad de buenos aires
es ahora un infierno de gritos

ya se sabe
a los zombis no hay quien los pare

cuando se acaban los vivos
se cogen entre ellos

Poema: Lucio Greco 

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Oficina de reciclagem no Bar do Mucho


A Oficina começará as 14:00 do domingo, 28/08
Tel pra contato: 8631-2671 Alisson da Paz

terça-feira, 16 de agosto de 2011

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Desengano

Quando  madrugada
Me pego pensando
Qual seria a estrada,
Que me leva ao desengano?

Fico sempre tão tristonha
Me causa decepção
Ver que ando, ando, ando
E só vou na contramão

Mas que saco de destino
Sei  que ele existe
Vou ficar no desatino
Se assim ele insiste!

E não gosto da idéia
de quem no  destino não crê
Já ta tudo na cinza geléia
que martela nesse ser

se o amor não escolhe
como posso ser escolhida?
A fazer parte de uma ceifa
Da seara desiludida

Preferia uma música
Elas me trazem emoção
Não como faz um amor
Mas me toca o coração

Com a música, choro e passa
uma bela canção...
O amor, passa e choro
a mais fina composição...

E voltando ao destino
Para que querer mudá-lo
Muda-se o menino
E continua a amá-lo

O negócio é compor
Ser liberto de sentimentos
Como a música expressa dor
Não calar os pensamentos




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Exposição do Correspondênci Poética em Buenos Aires

LA FUNDACIÓN CENTRO DE ESTUDOS BRASILEIROS INVITA A UD. A LA EXPOSICIÓN :


Inauguración 11 de Agosto a las 19hs.
Idealización, coordinación, montaje y curaduría: Lucía Tennina.
La muestra permanecerá hasta el 30 de Agosto
Visitas: Lunes a Viernes de 9 hs. a 21 hs. / Sábados de 9 hs. a 12 hs.
 
Galería Portinari (FUNCEB) 
Esmeralda 969 - Ciudad Autónoma de Buenos Aires
4313-5222 / 6448 - 
www.funceb.org.ar
Entrada gratuita



segunda-feira, 25 de julho de 2011

Alembramentos

Alembro de um tempo
que o mundo
era maior, bem maior
e cabia dentro do nosso abraço

Alembro do dia
que vi um canarinho
lacribeijando o sol
lhe dando de beber
  
Alembro de cores minhas
ausentes
que por fim
não esbarro mais

Alembro que eu gostava
de vagar por aí
a ouvirtude
que o silêncio dizia

Até uma vez,
ainda miúdo,
me ensinaram
que "Alembrar"
é um erro!

depois disso:
tem coisa que não lembro
mas do resto me alembro de tudo!

Michel Yakini

sexta-feira, 22 de julho de 2011

E se tudo fosse solzinho ?

Era só mais um moleque de rua feliz
Brincava que equilibrava a lua
Na ponta do nariz


Carregava nas mãos,
Garrafa vazia e pedaços de bambu
E com os outros pivetes conversava
Na calada de vale, do Anhangabaú:


"Já pensô se tudo fosse solzinho ?
Cê pegava e falava carro, me leva
E ele fosse...solzinho ?"



Poema de Thiago Calle que acaba de lançar seu livro,"SOBRE ESQUINAS TUMULTUADAS DE VERDADE "

quinta-feira, 14 de julho de 2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

A TUA FORÇA

Tu tens a tua força, para recomeçar
Só tens de buscá-la dentro do teu coração
Tens o direito de acreditar
Que tua vida não é só sonhos e solidão

És poeta, escreves lindas poesias
Escreves com amor e sentimento
A quem te lê, dás prazer e muitas alegrias
Dás vida a cada teu pensamento

Não penses que vou deixar-te desistir
Nunca, jamais deixarei de apoiar-te
Quando vir-te triste, faço-te sorrir
Se vir-te a chorar, vou amar-te

Acredita, dás-me uma força imensa
Quando me acolhes em teu colo
Passas-me confiança e muita crença
E quando choro, dás-me amor e consolo

És um homem íntegro, mas solitário
Um pai extremoso e cheio de amor
Um ser maravilhoso, e não digas o contrario
Bem és aquilo que és, um sonhador

Rosa Santos

segunda-feira, 4 de julho de 2011

‎"ÚLTIMO POEMA"


ninguém me rege!
nem deus nem o diabo.

não sigo a lei dos homens, nem dos anjos.
dispenso mapas, bulas e recomendações de boa conduta.
desacredito, desacredito, desacredito
exercito minha auto-destruição
percorro no breu embriagado
não sei se volto, se vou...
nem há propósito em chegar (ou fugir)
desafio a lógica,
publico escrúpulos
busco o prazer
e não dou satisfação pro além.

terça-feira, 28 de junho de 2011

O Ciúme


Em meu lado abelhudo ela se fez flor
Mas a minha vaidade de desertor
Me disse pra fugir desse amor
Margarida singela era até cheirosa
Mas sequer chegava aos pés de rosa
Com suas múltiplas pétalas formosas
Ao descobrir que eu era beija-flor
Deu ouvido aos ventos do rancor
E para mim nunca mais desabrochou
De que adianta ser possessiva margarida
Se até as lagartas que rasteja por ti cria asas
Tenho ninho, e aconchego de passarinho
Mas não sou joão-de-barro pra ter casa

Poesia: Casulo
Livro: Do olho pra fora mora a liberdade

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A UMA AMIGA


Tu tinhas o dom da escrita
Foste poetisa de alma e coração
Escrevias com amor, eras perfeita
Nessas alturas eras livre, dentro da solidão

Conseguiste expor teus sentimentos
Transmitir o que te ia na alma
Eternizar todos os momentos
Levar e dar a todos que te rodeavam a calma

Escrevias linguagem conhecida
O conseguias com força de vontade
Nunca vais ser esquecida
Nas pessoas que amam-te, deixas-te saudade

Eu, leio teus poemas e caiem as lágrimas
Dão á minha alma a paz que preciso
Não te conheci, mas aprendi com as tuas rimas
E muitas vezes devolveste-me o sorriso

Tu já não estás neste mundo
Fazes falta com teu sorriso e saber
Com o teu amor imenso e profundo
Jamais na vida te iram esquecer

Rosa Ferreira
05/06/2011
(Esse poema veio diretamente de Coimbra)


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Oficina de recicla de papel e convívio literário

Ontem (21/06/2011) o Coletivo “Correspondência Poética” realizou uma oficina de reciclagem de papel e convívio literário na favela da Erundina, no Jardim Ibirapuera, onde se localiza atual sede do Bloco do Beco. Junto com a criançada falamos do processo de construção do papel e o impacto ambiental que esse processo causa, reciclamos as ideias e resignificamos o objeto junto com os livros de poesia dos poetas da quebrada. Fica umas fotos pra ilustrar a imaginação.
















E julho terá outra oficina no Sacolão das Artes, aguardem. 








quarta-feira, 15 de junho de 2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Poesia Erótica


 HOMENAGEM


Sua imagem
na minha mente
emana
Te vejo Inanna
dizendo baixim
que faz um strip
pra mim
 
Se despindo devagar
me faz prostrar
sua dança insinuante
faz gelar
ar
terial
raio paralisante
Fico no grau
Como naquela vez
perante Ereshkigal
faz-se desnuda
 
As entranhas da minha mente
me levam a situações 
estranhas
 
Sinto cheiro de mirra
Miro sua bunda
Incrível!
Inexorável!
Que agradável!
Inebriante
raio paralisante
 
Seus seios
matam meus anseios
Físico espiritual
emocional
Sustento 
Alimento
 
Loba
Fera
Efésia
Sua vênus
Meu Deus!!!!
Me calo diante do cálice.
raio paralisante
 
Nesse instante
tenho sede
Sorvo vinho
feito das melhores uvas
da alma humana.
Na lingua
gosto peculiar
deaugusto
 
Afogo-me em goles
no Santo Graal
que os trouxas 
não souberam achar.
raio paralisante
 
Não se espante.
Isso já aconteceu antes.
Masculino
imerso no Feminino.
O mistério deve ser penetrado.
 
Cavalgo
com a força
de quem transporta 
louças
 
Fogo imerso
na agua
Como a maré
Como o vento
infinito movimento
na base de sua coluna
Abrindo chacras
Deixando lelé
 
Vejo atrás de seus olhos
lótus de mil pétalas
Não aguento esse furor!
Anahata
brilha em sol
amor amor amor
desfigurante
raio paralisante
 
Melo todo o lençol
de gozofabuloso
gostosoexplendoroso
 
Magia
que tá no céu da minha boca
calabouço
 
Não repare
na parede e no colchão
imagine
o que passa
na imaginação
da minha mão


O Augusto

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Capão...

Meu capão iluminado

de fé.
Meu capão  arredondado
tem mais curvas que mulher.
Capão escuro e silencioso
que aos olhos da elite é perigoso.
Capão de gente boa
gente de fibra que não ta aqui a toa.
Capão da bala perdida.
Capão da criança oprimida.
Capão do funk e do samba.
Capão das curvas santas.
Capão da noite fria.
Capão, cultura e periferia.
Capão, olhai pelos filhos teus.
Enquanto meu coração poeta te contempla com os versos meus.



Joelma Coutinho

quinta-feira, 5 de maio de 2011

VI!!! VER

ENQUANTO ELES FICAM A...

"VER NAVIOS"


EU FICO A VI...

"VER NASVIAS"



(Wagner Machado)

domingo, 24 de abril de 2011

VIRADA CULTURAL

No último domingo (17/04) o coletivo Correspondência Poética participou da sétima edição da virada cultural de São Paulo.

Depois de muito transtorno (por faltar energia elétrica) e cultura da quebrada no palco da Arte Periférica (Santa Ifigênia), nos dirigimos ao Jabaquara (Alisson da Paz e Michelle Correa) mais especificamente para o CEU Caminhos do Mar junto com Fernando Ferrari, Luan Luando e Toninho Poeta que, representando o coletivo Postesia, deram em conjunto com a gente uma oficina de leitura, escrita e distribuição de poemas.

Deu gosto de ver o apetite da criançada por poesia. Os livros dos autores periféricos eram lidos com voracidade e alegria, causando questões que as crianças e adolescentes vinham compartilhar conosco. Outros vieram mostrar seu talento escrevendo seus próprios poemas para que fossem distribuídos junto aos poemas do Binho, Giovane Baffô, Elizandra Sousa, etc.

Naquela manhã de sol quente, o mais lindo de tudo foi quando quase todas as crianças que estavam se refrescando na piscina foram participar voluntariamente da oficina, querendo intervir no espaço com alguma poesia que elas gostaram ou que elas mesmas criaram.

Resultad: 200 Correspondências Poéticas entregues e um CEU todo revestido de Postesia!

Quem quiser nos convidar para dar oficinas de leitura, escrita, distribuição de poemas ou reciclagem de papel, basta entrar em contato no e-mail correspondenciapoetica2010@gmail.com

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Poesia de Moçambique

 
E por que não buscar na fonte?



 ARMANDO GUEBUZA



AS TUAS DORES

                   As tuas dores
                   mais as minhas dores
                   vão estrangular a opressão

                   Os teus olhos
                   mais os meus olhos
                   vão falando da revolta

                   A tua cicatriz
                   mais a minha cicatriz
                   vão lembrando o chicote

                   As minha mãos
                   mais as tuas mãos
                   vão pegando em armas

                   A minha força
                   mais a tua força
                   vão vencer o imperialismo

                   O meu sangue
                   mais o teu sangue
                   vão regar a Vitória.



TUS DOLORES

                   Tus dolores
y mis dolores
erradicarán la opresión

Tus ojos
y mis ojos
van hablando de la sublevación

Tu cicatriz
y mi cicatriz
van recordando el látigo

Mis manos
y tus manos
van agarrando las armas

Mi fuerza
y tu fuerza
vencerán el imperialismo

Mi sangre
y tu sangre
regarán la victoria.


despedida

agora há apenas o vácuo
a ausência no jardim
de uma flor comum
entre tantas

invisíveis
perecíveis
ao invencível sopro
do tempo

desprendeu-se do caule
antes de completar o seu florir

partiu no ar
etérea
ignorada

seu sangue de flor
silenciou a raiz
em telúrica cicatriz

nenhuma mão  quis acolhê-la
nenhum vaso quis
preencher sua primavera

Solange Amorim

segunda-feira, 11 de abril de 2011

TANTAS MARIAS

Maria,
A vida não foi fácil
Longe de você

Maria,
Até parece que eu
Deixei de ser

Maria,
A poesia rareou
Se entristeceu

A vida sem Maria
Perdeu o sal
Arroz sem feijão
Letra sem canção
Samba sem carnaval

Maria,
Entre tantas Marias
Como fui me perder?

Maria,
Aquela canção da novela
Ainda lembra você

Maria,
É tamanha a tristeza
Que eu nem posso te ver

A vida sem Maria
Perdeu a cor
Verde sem planta
Poesia sem palavra
Sol sem calor

Maria é passado!
Passado é Maria!
Maria não volta!
Passado também!


(Nilson Ares)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Matador

Tenho tido
Tido tempo
Tempo todo
Todo atento
A matar tudo:
Mato a dor
Mato a mim
Minto amor
Dito e feito
Nem entendo
Tendo ido
Pouco afeito
Meto pudendo
Cito insulto
Transcendo
E mato o tempo
Ah...
Disto sim
entendo

Leandro Torquato
do livro
Alvedrio (Ou LEVE 58 e PAGUE 12)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

...

Eu também tenho um amor...
parece brasão no peito.
 
teima em fazer Sol
nas almas nubladas

faz germinar a semente no campo
o pão na mesa
E exala aroma de café
na cozinha de todos
e todas.

Um amor
que invade os terrenos baldios
sem pedir licença
e constrói castelos
de lona
e madeira
e suor

Um amor de acender os olhos
que levanta na hora mais fria do dia,
e vai revolver a terra
com a força de mil braços
cantando num coro de mil vozes
E que chega
na boca da noite
Anunciando os frutos do amanhã.


Alisson da Paz

terça-feira, 22 de março de 2011

A MORADA DOS POETAS

Qem pensa que a noite pertence ao silêncio não sabe da existência da Resistência
Voz que ecoa às vielas e avenidas, passa e não passa no tempo
Permanece o grito dilatado no espaço
É palavra na boca daquele que tem fome
É fome daquilo que não pode comer
É vida latente
Na lama da viela nasce uma flor vermelha que leva nos ombros
o sonho e a dor
De um povo inteiro
É na esquina, no bar, no quintal na laje, ou  no escadão
na beira da represa ou em qualquer lugar que tenha um chão
É poeta bebendo escrevendo

É na morada desse povo onde procuro o meu pão
a minha fome é alimentada por cada palavra......
E tem gente que diz que não existe a tal da revolução

Tatiana Monte