Correspondência Poética: Poema
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sábado, 21 de janeiro de 2012

DA PAZ



Eu não sou da paz.

Não sou mesmo não. Não sou. Paz é coisa de rico. Não visto camiseta nenhuma, não, senhor. Não solto pomba nenhuma, não, senhor. Não venha me pedir para eu chorar mais. Secou. A paz é uma desgraça.

Uma desgraça.

Carregar essa rosa. Boba na mão. Nada a ver. Vou não. Não vou fazer essa cara. Chapada. Não vou rezar. Eu é que não vou tomar a praça. Nessa multidão. A paz não resolve nada. A paz marcha. Para aonde marcha? A paz fica bonita na televisão. Viu aquela atriz? No trio elétrico, aquele ator?

Se quiser, vá você, diacho. Eu é que não vou. Atirar uma lágrima. A paz é muito organizada. Muito certinha, tadinha. A paz tem hora marcada. Vem governador participar. E prefeito. E senador. E até jogador. Vou não.

Não vou.

A paz é perda de tempo. E o tanto que eu tenho para fazer hoje. Arroz e feijão. Arroz e feijão. Sem contar a costura. Meu juízo não está bom. A paz me deixa doente. Sabe como é? Sem disposição. Sinto muito. Sinto. A paz não vai estragar o meu domingo.

A paz nunca vem aqui, no pedaço. Reparou? Fica lá. Está vendo? Um bando de gente. Dentro dessa fila demente. A paz é muito chata. A paz é uma bosta. Não fede nem cheira. A paz parece brincadeira. A paz é coisa de criança. Tá uma coisa que eu não gosto: esperança. A paz é muito falsa. A paz é uma senhora. Que nunca olhou na minha cara. Sabe a madame? A paz não mora no meu tanque. A paz é muito branca. A paz é pálida. A paz precisa de sangue.

Já disse. Não quero. Não vou a nenhum passeio. A nenhuma passeata. Não saio. Não movo uma palha. Nem morta. Nem que a paz venha aqui bater na minha porta. Eu não abro. Eu não deixo entrar. A paz está proibida. Proibida. A paz só aparece nessas horas. Em que a guerra é transferida. Viu? Agora é que a cidade se organiza. Para salvar a pele de quem? A minha é que não é. Rezar nesse inferno eu já rezo. Amém. Eu é que não vou acompanhar andor de ninguém. Não vou.

Não vou.

Sabe de uma coisa: eles que se lasquem. É. Eles que caminhem. A tarde inteira. Porque eu já cansei. Eu não tenho mais paciência. Não tenho. A paz parece que está rindo de mim. Reparou? Com todos os terços. Com todos os nervos. Dentes estridentes. Reparou? Vou fazer mais o quê, hein?

Hein?

Quem vai ressuscitar meu filho, o Joaquim? Eu é que não vou levar a foto do menino para ficar exibindo lá embaixo. Carregando na avenida a minha ferida. Marchar não vou, muito menos ao lado de polícia. Toda vez que vejo a foto do Joaquim, dá um nó. Uma saudade. Sabe? Uma dor na vista. Um cisco no peito. Sem fim. Uma dor. Dor. Dor. Dor.

Dor.

A minha vontade é sair gritando. Urrando. Soltando tiro. Juro. Meu Jesus! Matando todo mundo. É. Todo mundo. Eu matava, pode ter certeza. Todo mundo. Mas a paz é que é culpada. Sabe?

A paz é que não deixa.


Marcelino Freire

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Grande Ideia



Não quero que as grandes ideias




mova a grande massa




quero que a grande massa




mova as grandes ideias.






Luan Luando.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

PRAGA





-Pode ir, vai. Pode ir. Um dia tenho certeza que: você vai se arrepender.
Sabe por quê? Eu sou a mulher da sua vida. Você nunca vai encontrar ninguém igual a mim. Ninguém!
-Tomara, " meu bem ". A ideia é justamente essa.






Rodrigo Ciríaco

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Poema Inacabável


...pernas em erupção de rosas flamejantes
beijos coagulando saliva melodiosa
gemidos adormecendo no coração das nuvens
seios como luzes irradiando a noite
aromas irreais no esconderijo das pérola...


Mascote.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Poesia Infantil

O menino e sua imaginação

Ele era brincalhão
no chão rodava seu pião,
subia no pé de melão
e descia com um na mão

não parava de brincar
até a mãe chamar
pra ele ir descansar


se pegasse um pedaço de madeira
fingia ser um pirata
à velejar em alto mar

na sua imaginação
era um astronauta
a voar num espaço
sem fim..

com o tempo
ele cresceu
mas nunca deixou de
sonhar e imaginar.

Caue Bocato

*Garoto de apenas 10 anos nos enviou sua poesia para ser publicada.

Valeu Caue !!!





segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Desengano

Quando  madrugada
Me pego pensando
Qual seria a estrada,
Que me leva ao desengano?

Fico sempre tão tristonha
Me causa decepção
Ver que ando, ando, ando
E só vou na contramão

Mas que saco de destino
Sei  que ele existe
Vou ficar no desatino
Se assim ele insiste!

E não gosto da idéia
de quem no  destino não crê
Já ta tudo na cinza geléia
que martela nesse ser

se o amor não escolhe
como posso ser escolhida?
A fazer parte de uma ceifa
Da seara desiludida

Preferia uma música
Elas me trazem emoção
Não como faz um amor
Mas me toca o coração

Com a música, choro e passa
uma bela canção...
O amor, passa e choro
a mais fina composição...

E voltando ao destino
Para que querer mudá-lo
Muda-se o menino
E continua a amá-lo

O negócio é compor
Ser liberto de sentimentos
Como a música expressa dor
Não calar os pensamentos




sexta-feira, 22 de julho de 2011

E se tudo fosse solzinho ?

Era só mais um moleque de rua feliz
Brincava que equilibrava a lua
Na ponta do nariz


Carregava nas mãos,
Garrafa vazia e pedaços de bambu
E com os outros pivetes conversava
Na calada de vale, do Anhangabaú:


"Já pensô se tudo fosse solzinho ?
Cê pegava e falava carro, me leva
E ele fosse...solzinho ?"



Poema de Thiago Calle que acaba de lançar seu livro,"SOBRE ESQUINAS TUMULTUADAS DE VERDADE "

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A UMA AMIGA


Tu tinhas o dom da escrita
Foste poetisa de alma e coração
Escrevias com amor, eras perfeita
Nessas alturas eras livre, dentro da solidão

Conseguiste expor teus sentimentos
Transmitir o que te ia na alma
Eternizar todos os momentos
Levar e dar a todos que te rodeavam a calma

Escrevias linguagem conhecida
O conseguias com força de vontade
Nunca vais ser esquecida
Nas pessoas que amam-te, deixas-te saudade

Eu, leio teus poemas e caiem as lágrimas
Dão á minha alma a paz que preciso
Não te conheci, mas aprendi com as tuas rimas
E muitas vezes devolveste-me o sorriso

Tu já não estás neste mundo
Fazes falta com teu sorriso e saber
Com o teu amor imenso e profundo
Jamais na vida te iram esquecer

Rosa Ferreira
05/06/2011
(Esse poema veio diretamente de Coimbra)


quarta-feira, 2 de março de 2011

Poema

Cotidiano


Cotidiano, começa o dia,


Maria e Zé levantam às 5


Pois é, com fé


Tomam um café, 2 vezes passado,


pra aproveita o pó, né


Molha o pão de antes de ontem


Amolecido fica, como é o coração


Pai nosso, ave Maria


A reza de cada dia


Meu pai ilumine mais uma batalha da vida


Um novo dia, mais uma correria


Beijo nas crianças, a mais velha tá na responsa


O ponto tá daquele jeito


O campo tá minado


Paga conta, pega fila


Ônibus lotado, imagine o trem


Lotação também


É o vai e o vem


Atravessando a ponte, observo meus irmãos apertados


Muitos angustiados, eu tomei meu café


E o guerreiro ao meu lado


Uns vem em pé, outros sentados


Da janela que estou, vejo um carro importado


Uma madame, com um poodle, com um latido bem chato


Deve estar indo ao shopping, é claro


O marido deve ser empresário, ou deputado


Um senhor acende uma bituca de cigarro


O moleque, no farol, ganha seu trocado


A prostituta faz seu ponto, não é nada fácil


Na quebrada, ta moiado


Os polícia colaram e saíram com o camburão estrumbado


Só trabalhador, senhor, leva que é pra cumprir o mandato


Dei sorte hoje, amanhã pode tá embaçado


É época de eleição, qué fazê bonito


Pros bacana, pra ser o próximo candidato


Qué limpa a cidade, devia começa pelo outro lado


É Lá que ficam os safados, colarinho engomado


Lixo tóxico que explora o busão lotado


Estou à margem, mais eles que são os marginalizados


Eu, eu sou um simples trabalhado, ganho o meu suado


Observando da janela do busão lotado


Apenas sonho para que esse lixo todo seja mudado


E os meus filhos não precisem molhar o pão no café fraco


Quero ser livre, sentir a leve brisa do meu barraco


E não me sentir um escravo, sendo maltratado por capitães do mato


Que enquadram, matam e são engravatados.


Observo tudo da janela do busão lotado e apertado


É mais um dia de trabalho.


(Zinho Trindade)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

POEMA

LIBERDADE, SONHO E POESIA

Há vozes que se calam
na contramão da vida
no quarto vazio
nos anseios esquecidos

Há silêncio no olhar perdido
nos pensamentos feridos
nos corações amargos
nas mãos recolhidas

Há ignorância em excesso
na prisão perpétua
do conhecimento furtado
da memória negada

Há violência roubando a vida
disparando o medo
manchando a terra
de sangue e de vergonha

Há apelo e angústia
no peito rompido pela dor
no olhar indecifrável
da miséria e da fome

Há ódio jorrando
das frases silenciadas
das palavras cansadas
das prisões do egoísmo

Há maldade sobrando
no vazio da alma
nas armadilhas da noite
nas sombras do dia

Há sonhos abandonados
na terra adormecida
nas manhãs proibidas
no futuro retido

Mas há sombras que
do fundo do poço retornam
Há mãos que fazem brotar do chão
o grão seco que se torna pão

Há liberdade nos gritos
que pela cidade ecoam
Há desejos insaciados
convertidos em luta

Há sonhos forjados
no cerne da alma
sonhos que constroem
e reconstroem o verso

Há poesia vertendo do canto daqueles
que arrombam a porta da alma
e em todos os homens
semeam a esperança

Sonia Regina Bischain

POEMA

Poema de Luana Cristina


A convivência de se conviver
na descência da inoscência
da circuferência da moeda, a roda do mundo, 
Do tapa ao abraço, 
na roupa o amasso, 
e no julgar do jugado, 
esperando o amparo, 
na segurança das mãos
e os pés que doem então, 
o choro, 
do primeiro dia na escola, 
e outros pedem esmola, 
engraçada a rima nada fina, 
guardado no abrigo, 
o desejo, 
aprisionado por medo, 
O bem e o mal, 
O certo e o errado, 
cade a placa? 
o porque ninguem seja de alguém, 
ou quem seja de alguém também, 
eu digo amém, 
a certa sombra iluminada, 
que nos envolve, 
é tão nobre, 
e enorme,
O desejo do desnudo, 
o pecado imaturo, 
e a natureza em tudo,
tudo, 
tantas palavras, 
tantas línguas, 
interpretes, sensores,
e mesmo assim, 
nessa rima afoita, 
termino agora, enquanto, 
dizendo uma coisa só, 
o Tudo. 


sábado, 18 de setembro de 2010

A BOCA de Súlzer Larissa Germano

A BOCA

Meu forte é a boca,
É o beijo,
É a língua,
Quente e cheia,
Derretida,
Percorrendo.
Meu forte é a boca,
É o beijo,
É o paladar,
É a vontade de morder
E sugar e espremer
E deslizar pelas omoplatas,
Deliciada.
Meu forte é o beijo,
É o desejo, e as mãos
Percorrendo os cabelos.
Meu forte é a boca,
O molhado da língua,
O calor das papilas.
Meu desejo é o beijo,
É o carinho mais denso,
Mais suave e tenro,
Mais entregue,
Alimento.
Bom é beijar
E comer e dizer
E sentir água,
Da boca escorrer,
Só de pensar
Só em querer.


De Súlzer Larissa Germano:

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

a ser dito

Há algo a ser dito
pelos jornais, em suas páginas
pela rádio, em suas ondas
nas imagens da TV
nos sites e sítios virtuais.



Há algo a ser dito
nos palanques e nas praças
nos púlpitos e prostíbulos
- a fim de incitar
excitar



os feitos
as forças do povo.



Para pinicar sofás
explodir camas
movimentar os alicerces dos templos
os castelos
dos bancos



Há algo a ser dito
sempre
há algo a ser dito



e que não é.



Jonathan Constantino

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O Encontro de Guilherme Bastos



Caí feito uma gota de chuva,

Você feito uma folha me amparou,

Fez-me orvalho.

Sinto-me escorregando lentamente para a próxima queda.

Compreende o que você foi para mim?

Como pôde me amparar de tão longe?

Como eu pude cair de tamanha altura logo em cima de você?

Porque não deixou que eu me esborrachasse no chão e fosse rápidamente
sugado para debaixo da terra?

Porque diabos estava plantada naquele exato lugar?

Porque cargas d'água não pediu ao vento que a esquivasse?

Minha vida agora está por um pingo.

Engraçado? Nem um pingo.

Acha que a minha morte será tão bela e curta como um haikai?

Simplesmente... pingar e desaparecer? Não!

Eu resistirei. Me juntarei a alguma poça na rua até que um cachorro velho
venha nos beber.

O pior é que isso também dá um haikai.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

PEQUENO ANDARILHO de Luciano Campello


Pequeno e já andarilho.
Fugiu da escola, da família, do cinto.
Revoltado diz não mais querer voltar.
Traumatizado, fez das ruas seu novo lar.
Futuro como muitos já traçado.
Revolta, drogas, crime, estatística para o estado.
Só queria ser feliz com a família,
não aguentou apanhar dia e noite, noite e dia.
Agora o pequeno andarilho segue a estrada,
os passos são curtos e longa a caminhada.

Luciano Campello

Faces




Nas faces sombrias da noite
Vaguei-a uma alma buscar
Alguém que lhe de um sorriso
Alguém que lhe possa falar

Nas faces sombrias da noite
Escutam-se ébrios a cantar
Poemas, modinhas sem rima
Que os lábios se põe a cantar

Nas faces sombrias da noite
Escuta-se sirene a soar
E grito de dor e lamento
Convidam o silencio a chegar


Poesia: Edison A