Correspondência Poética: videos
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terça-feira, 13 de março de 2012

Documentário do mapeamento por Renata Grazzini




O projeto Correspondência Poética promove a pesquisa e difusão da Literatura com ênfase na poesia, através da distribuição de pergaminhos feitos em papel reciclado contendo poesias produzidas por autores das periferias do Brasil.

Nossa paixão é a difusão da literatura como formação da cultura. Para isso estamos construindo um curta metragem experimental, cuja narrativa está baseada na construção tecida dos poemas escolhidos para o roteiro.

Das diversas possibilidades fílmicas escolhemos realizar cada poema, de um autor diferente sendo interpretado por uma mulher, atriz, em um espaço diferente na cidade de São Paulo.

Neste evento que estamos produzindo online lançamos os Vídeo Poemas do Projeto Correspondência Poética.

 
DOCUMENTÁRIO DO MAPEAMENTO

Hoje eu assisti um documentário
você fez
fez até bonito demais
eu estava lá

nós estávamos
nosso passado,
eu assisti hoje

Será que quando fez me fez na cabeça?
Lembrou?
Lembrei.
Falamos de favela,
Bairros,
Habitantes,
Artistas
e periferias

Discutimos
políticas e idéias
vagamos  pensamentos  e utopias
de um mundo melhor

Queríamos transformar com nossa arte,
nosso foco,
nossas edições

Editamos
Sonhei  esta noite com você
Foi feliz o sonho.

Tatiana Monte
Interpretado por Renata Grazzini
na fonte do Parque Ibirapuera


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

De Tantos em Tantos por Naruna Costa


O projeto Correspondência Poética promove a pesquisa e difusão da Literatura com ênfase na poesia, através da distribuição de pergaminhos feitos em papel reciclado contendo poesias produzidas por autores das periferias do Brasil.

Nossa paixão é a difusão da literatura como formação da cultura. Para isso estamos construindo um curta metragem experimental, cuja narrativa está baseada na construção tecida dos poemas escolhidos para o roteiro.

Das diversas possibilidades fílmicas escolhemos realizar cada poema, de um autor diferente sendo interpretado por uma mulher, atriz, em um espaço diferente na cidade de São Paulo.

Neste evento que estamos produzindo online lançamos os Vídeo Poemas do Projeto Correspondência Poética.


TANTOS EM TANTOS

Tantas terras no Brasil
Tantos latifúndios
Tanta comida no Brasil
Tanta fome
Tanta água no Brasil
Tanta seca
Tanta riqueza no Brasil
Tanta miséria
Tanta gente no Brasil
Tanta solidão
Tanta escola no Brasil
Tantos analfabetos
De tantos em tantos
Vamos sobrevivêndo
Só não sei até quando.

Luan Luando
Interpretado por Naruna Costa
 No Cristo Redentor de Taboão da Serra

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Rodrigo Ciríaco

A literatura tá na rua, tá no bar, tá no ponto de ônibus. A literatura tá em movimento, na periferia e na américa-latina toda. A literatura tá falada, tá almada, parece pessoa. A literatura voa em muitas vozes. Se aninha eu muitos corações. A literatura cria a cina de ser ação. Muda a cena. Debate o dilema no refrão. A literatura ta de pé no chão, correndo junto, juntando gente. A literatura mudou traço, foi pra linha de frente. A literatura está resistente. Ta mandigueira. A literatura num ta de bobeira não, jão.

Se liga só no Rodrigo Ciríaco recitando o conto ABC.
AH, MULEQUE-DOIDO!





Deus é brasileiro. Mas quem manda é o Marcola. É, ele é o patrão. Ah prussôr, eu não vou entrar não. Ele é quem manda. Tá bom, tá bom, já que o senhor insiste. Mas ó, não vou fazer lição. Ah, muleque-doido! Tô cansado. Quatro da manhã ainda era noite, Jão. Só fazendo avião. Depois, o Play 2. Não é mole não. O jogo é bravo. Exige concentração. Que fita que eu tenho? Daquela de tiro. Plá! Plá! Plá! Me imagino tipo com uma sete-meia-cinco. Mas logo mais eu tô com uma automática na mão. É, cê vai ver, doidão.

Ah prussôr, não vou fazer lição não. Não entendo nada mesmo. Tô cansado de ficar só copiando. Num sei lê, num sei escrevê. Contá? Contá eu conto, claro. Trabalho com dinheiro vivo. Se eu não contá quem é que garante a minha mesada? É, a vida é cara. Quem paga meu tênis, minhas roupa de marca? Quem? Pai e mãe num tenho. Já foi. Tudo morto. Só balaço. Mas eu nem ligo. Já cicatrizô. Nem choro. É rapá, homem não chora. Só Jesus chorou. O cara era gente fina, mas ó, muito pacífico. Comigo não, é na bala. Minha vida é na quebrada. E no esquema. Nem olhe pra minha cara. Olhô, plá! Levô tiro.

Quem guia a minha mão é o Marcola. Se eu já matei? Eh prussôr, da missa cê não sabe o terço? Já tenho treze anos pô. Sô bicho solto, bicho feito. Tô enquadrado. É, já tô viradasso. Já paguei até veneno. Um ano na FEBEM. Várias rebelião e o caralho. Tô aqui de L.A., só por causa do juiz. Mêmo assim, num tem quem me segura. Fico pelos corredor, só nas fissura. Dando umas volta, ganhando a fita. Estudá? Só entro na aula do senhor porque o prussôr é gente fina. Mas não estudo não. E só entro de vez em quando. É, não tem mais jeito, Jão. É feio ficar chorando pelo que se rebentô, já se estragô. Tem defeito. Minha vida agora é assim, só no arrebento. Mudá? Só se for de ponto. De vida eu não quero não. Tô bem, prussôr. Valeu a preocupação, satisfação.

Ah, muleque-doido! Ó, tô saindo. Cansei de ficar na sala de aula, na escola, sei lá. Aqui é tudo muito parado. Vou pra rua. Lá que é o barato. É. Lá eu já sou mestre.


conto do livro TE PEGO LÁ FORA,
de Rodrigo Ciríaco - Edições Toró, São Paulo, 2008
(O video acima foi uma realização do Correspondência Poética e do Bloco do Beco em parceria com o Ponto de Cultura MORARTE)

terça-feira, 19 de julho de 2011

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Correspondência Poética nos becos do Capão Redondo


Correspondências Poéticas sendo entregas nos becos e vielas do Capão Redondo, 
minutos antes do Sarau Vila Fundão.

" Prosseguimos Protestando
Pedindo Paz para a Pátria,
Punição pros poderosos,
Pão pros pequenos,
Pétalas,
Poder Popular,
Prosseguimos protestando
Pedindo principalmente
Poesia pra Periferia" 

Trecho do Poema Mulher com P de Bruna Ribeiro