Correspondência Poética: correspondencia poetica
Mostrando postagens com marcador correspondencia poetica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador correspondencia poetica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de outubro de 2012

EU PENSAVA QUE A TERRA REMENDAVA COM O CÉU

No meu pensamento de antigamente,
Quando eu era menino,
O mundo, eu pensava
Que era que nem tocaia,
A terra remendava com o céu.

O sol,
Eu pensava que eram muitos,
Passando dias e dias.

A noite,
Eu pensava que era que nem fumaça,
Porque quando o sol ia embora,
A noite vinha cobrir o mundo.

O céu,
Eu pensava que era que nem ferro,
Nunca acaba.

A chuva,
Eu pensava que era alguma pessoa,
Que morava no céu e derramava água.

A água,
Eu pensava que eram alguns bichos grandes,
Esturrando em cima do céu.

O homem,
Eu pensava que só nós mesmos vivíamos,
Só nós mesmos, o povo Kaxinawá.

A língua,
Eu pensava que todo mundo falava
Na nossa língua mesmo, o Kaxinawá.

Um dia, eu vi um branco chegando na nossa casa falando diferente.
Mas eu pensava que quando eu fosse na casa dele, ele ia falar em Kaxinawá.
Um dia, eu fui viajar com meu pai, para ver onde estava a terra remendada com o ceú.
Nós íamos descendo o rio e quando passaram alguns dias perguntei ao meu pai onde estava a terra remendada com o céu.
Meu pai me disse que não estava remendada a terra com o céu.
Que o mundo é muito grande e não tem fim…
 
(Norberto Sales Tene Kaxinawá)
Antologia de Poesia Indígena
 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

TOMAR UM CAFÉ

Se tristeza fosse necessária
Começaria hoje mesmo a comover-me, de tristeza,
Mas comovo-me somente de saudades
Daqueles antigos, que morreram em minha terra
E hoje, como antes, parecem comigo
A arder como fogo em pinha.

E entre os muros erguidos da modernidade,
Somem-se os cantadores da noite.
Os sobressaltos saudosos
Das passarelas de água sobre a sarjeta.
E ando a ver o Ribatejo,
Na cegueira de outrem
Sóbrio, tão sóbrio quanto posso
Para conspirar um conto.

Terra que canta
Que me sobe um tanto além
E canta sempre o Outono,
O velho, o morto,
O outro.
Parti-me em tantos
E hoje perco-me em muitos.
Passou.

(Paulo Antônio Saraiva Pereira Velente)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Exposição do Correspondênci Poética em Buenos Aires

LA FUNDACIÓN CENTRO DE ESTUDOS BRASILEIROS INVITA A UD. A LA EXPOSICIÓN :


Inauguración 11 de Agosto a las 19hs.
Idealización, coordinación, montaje y curaduría: Lucía Tennina.
La muestra permanecerá hasta el 30 de Agosto
Visitas: Lunes a Viernes de 9 hs. a 21 hs. / Sábados de 9 hs. a 12 hs.
 
Galería Portinari (FUNCEB) 
Esmeralda 969 - Ciudad Autónoma de Buenos Aires
4313-5222 / 6448 - 
www.funceb.org.ar
Entrada gratuita



quinta-feira, 14 de julho de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

VIRADA CULTURAL

No último domingo (17/04) o coletivo Correspondência Poética participou da sétima edição da virada cultural de São Paulo.

Depois de muito transtorno (por faltar energia elétrica) e cultura da quebrada no palco da Arte Periférica (Santa Ifigênia), nos dirigimos ao Jabaquara (Alisson da Paz e Michelle Correa) mais especificamente para o CEU Caminhos do Mar junto com Fernando Ferrari, Luan Luando e Toninho Poeta que, representando o coletivo Postesia, deram em conjunto com a gente uma oficina de leitura, escrita e distribuição de poemas.

Deu gosto de ver o apetite da criançada por poesia. Os livros dos autores periféricos eram lidos com voracidade e alegria, causando questões que as crianças e adolescentes vinham compartilhar conosco. Outros vieram mostrar seu talento escrevendo seus próprios poemas para que fossem distribuídos junto aos poemas do Binho, Giovane Baffô, Elizandra Sousa, etc.

Naquela manhã de sol quente, o mais lindo de tudo foi quando quase todas as crianças que estavam se refrescando na piscina foram participar voluntariamente da oficina, querendo intervir no espaço com alguma poesia que elas gostaram ou que elas mesmas criaram.

Resultad: 200 Correspondências Poéticas entregues e um CEU todo revestido de Postesia!

Quem quiser nos convidar para dar oficinas de leitura, escrita, distribuição de poemas ou reciclagem de papel, basta entrar em contato no e-mail correspondenciapoetica2010@gmail.com

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Poesia de Moçambique

 
E por que não buscar na fonte?



 ARMANDO GUEBUZA



AS TUAS DORES

                   As tuas dores
                   mais as minhas dores
                   vão estrangular a opressão

                   Os teus olhos
                   mais os meus olhos
                   vão falando da revolta

                   A tua cicatriz
                   mais a minha cicatriz
                   vão lembrando o chicote

                   As minha mãos
                   mais as tuas mãos
                   vão pegando em armas

                   A minha força
                   mais a tua força
                   vão vencer o imperialismo

                   O meu sangue
                   mais o teu sangue
                   vão regar a Vitória.



TUS DOLORES

                   Tus dolores
y mis dolores
erradicarán la opresión

Tus ojos
y mis ojos
van hablando de la sublevación

Tu cicatriz
y mi cicatriz
van recordando el látigo

Mis manos
y tus manos
van agarrando las armas

Mi fuerza
y tu fuerza
vencerán el imperialismo

Mi sangre
y tu sangre
regarán la victoria.


despedida

agora há apenas o vácuo
a ausência no jardim
de uma flor comum
entre tantas

invisíveis
perecíveis
ao invencível sopro
do tempo

desprendeu-se do caule
antes de completar o seu florir

partiu no ar
etérea
ignorada

seu sangue de flor
silenciou a raiz
em telúrica cicatriz

nenhuma mão  quis acolhê-la
nenhum vaso quis
preencher sua primavera

Solange Amorim

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Matador

Tenho tido
Tido tempo
Tempo todo
Todo atento
A matar tudo:
Mato a dor
Mato a mim
Minto amor
Dito e feito
Nem entendo
Tendo ido
Pouco afeito
Meto pudendo
Cito insulto
Transcendo
E mato o tempo
Ah...
Disto sim
entendo

Leandro Torquato
do livro
Alvedrio (Ou LEVE 58 e PAGUE 12)