Correspondência Poética: poesia periferica
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segunda-feira, 7 de maio de 2012

A LUA E EU

Lá fora a lua brilha, inspira
Dentro o amor é mel
Na boca saliva o gosto do fel
Lua viva em noite morta, sozinha
perdida em pensamentos...
a dor vem quando tento
inutilmente alcançar o entendimento
Fazendo carícias como um punhal que fere o peito
Havemos de combinar ó lua que brilha.
Ilumina-me!!!
Declame um poema estilo bossa
Onde eu não fique mossa
e possa
Ressurgir no olhar da alvorada
Linda e brilhante como tu
pra uma nova caminhada
Sem medo e nem rancor
Chega de dor!
Afinal
sou guerreira
mulher preta

( Lids Ramos )

domingo, 19 de fevereiro de 2012

TOMAR UM CAFÉ

Se tristeza fosse necessária
Começaria hoje mesmo a comover-me, de tristeza,
Mas comovo-me somente de saudades
Daqueles antigos, que morreram em minha terra
E hoje, como antes, parecem comigo
A arder como fogo em pinha.

E entre os muros erguidos da modernidade,
Somem-se os cantadores da noite.
Os sobressaltos saudosos
Das passarelas de água sobre a sarjeta.
E ando a ver o Ribatejo,
Na cegueira de outrem
Sóbrio, tão sóbrio quanto posso
Para conspirar um conto.

Terra que canta
Que me sobe um tanto além
E canta sempre o Outono,
O velho, o morto,
O outro.
Parti-me em tantos
E hoje perco-me em muitos.
Passou.

(Paulo Antônio Saraiva Pereira Velente)