Correspondência Poética: Solange Amorin
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quarta-feira, 20 de junho de 2012

SUBLEVAÇÃO


tão banal
o quintal
desta cidade homicida

acostumada
à infância perdida
no farol fechado
à mulher apanhando
no instante ao lado
à intolerância pisando duro
a esperança no jardim

o negro ofuscado dos olhos
na noite amotinada
dos morros insones

gritando a miséria 
que se expande

tão boçal
a chacina matinal
desta civilização branca assassina

militarizando a vida
para perpetuar privilégios

o vermelho amordaçado dos olhos
nas passeatas dispersas
à gás e balas
refazendo-se a cada instante
intermitente
contra a vontade
dos impotentes
em seus tronos de cadáveres

tão vital
a alegria visceral
a graça real
da luta 
contra o que apropria

o verde livre dos olhos
no front abrindo prisões 
livros e janelas
asas e porões

(Solange Amorim)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

despedida

agora há apenas o vácuo
a ausência no jardim
de uma flor comum
entre tantas

invisíveis
perecíveis
ao invencível sopro
do tempo

desprendeu-se do caule
antes de completar o seu florir

partiu no ar
etérea
ignorada

seu sangue de flor
silenciou a raiz
em telúrica cicatriz

nenhuma mão  quis acolhê-la
nenhum vaso quis
preencher sua primavera

Solange Amorim