Correspondência Poética

segunda-feira, 20 de março de 2017

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sexta-feira, 14 de março de 2014

Como fazer papel reciclado passo a passo.


Oficina do Correspondência Poética no Sacolão das Artes.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Naruna Costa recita Da Paz de Marcelino Freire



Naruna Costa recita Da Paz de Marcelino Freire

Da Paz

Eu não sou da paz.

Não sou mesmo não. Não sou. Paz é coisa de rico. Não visto camiseta nenhuma, não, senhor. Não solto pomba nenhuma, não, senhor. Não venha me pedir para eu chorar mais. Secou. A paz é uma desgraça.

Uma desgraça.

Carregar essa rosa. Boba na mão. Nada a ver. Vou não. Não vou fazer essa cara. Chapada. Não vou rezar. Eu é que não vou tomar a praça. Nessa multidão. A paz não resolve nada. A paz marcha. Para onde marcha? A paz fica bonita na televisão. Viu aquele ator?

Se quiser, vá você, diacho. Eu é que não vou. Atirar uma lágrima. A paz é muito organizada. Muito certinha, tadinha. A paz tem hora marcada. Vem governador participar. E prefeito. E senador. E até jogador. Vou não.

Não vou.

A paz é perda de tempo. E o tanto que eu tenho para fazer hoje. Arroz e feijão. Arroz e feijão. Sem contar a costura. Meu juízo não está bom. A paz me deixa doente. Sabe como é? Sem disposição. Sinto muito. Sinto. A paz não vai estragar o meu domingo.

A paz nunca vem aqui, no pedaço. Reparou? Fica lá. Está vendo? Um bando de gente. Dentro dessa fila demente. A paz é muito chata. A paz é uma bosta. Não fede nem cheira. A paz parece brincadeira. A paz é coisa de criança. Tá uma coisa que eu não gosto: esperança. A paz é muito falsa. A paz é uma senhora. Que nunca olhou na minha cara. Sabe a madame? A paz não mora no meu tanque. A paz é muito branca. A paz é pálida. A paz precisa de sangue.

Já disse. Não quero. Não vou a nenhum passeio. A nenhuma passeata. Não saio. Não movo uma palha. Nem morta. Nem que a paz venha aqui bater na minha porta. Eu não abro. Eu não deixo entrar. A paz está proibida. A paz só aparece nessas horas. Em que a guerra é transferida. Viu? Agora é que a cidade se organiza. Para salvar a pele de quem? A minha é que não é. Rezar nesse inferno eu já rezo. Amém. Eu é que não vou acompanhar andor de ninguém. Não vou. Não vou.

Sabe de uma coisa: eles que se lasquem. É. Eles que caminhem. A tarde inteira. Porque eu já cansei. Eu não tenho mais paciência. Não tenho. A paz parece que está rindo de mim. Reparou? Com todos os terços. Com todos os nervos. Dentes estridentes. Reparou? Vou fazer mais o quê, hein?

Hein?

Quem vai ressuscitar meu filho, o Joaquim? Eu é que não vou levar a foto do menino para ficar exibindo lá embaixo. Carregando na avenida a minha ferida. Marchar não vou, ao lado de polícia. Toda vez que vejo a foto do Joaquim, dá um nó. Uma saudade. Sabe? Uma dor na vista. Um cisco no peito. Sem fim. Ai que dor! Dor. Dor. Dor.

A minha vontade é sair gritando. Urrando. Soltando tiro. Juro. Meu Jesus! Matando todo mundo. É. Todo mundo. Eu matava, pode ter certeza. A paz é que é culpada. Sabe, não sabe?

A paz é que não deixa.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Balão

 
Vai balão. Voa alto.
Deixa pra trás o chão
Vagando por mil lugares
Sobre terras, sobre mares.
Vai, pois tu podes e eu não.

Vai. Destinado. Soberano.
Sob o céu, sobre o oceano.
Voa alto, deixa pra trás o chão.
Vai, pois tu podes e eu não.

Siga firme, oh! Rei das alturas.
E por onde passares, assimile as culturas
Pois quando voltares cheio de saber
Estarei pronto
Para contigo aprender.

Vai, mas volte, meu amigo
Pois quem vai, um dia vem.
Se voltares acredito
Que tu podes e eu também.

Serginho Poeta

Poema do Livro
Donde Miras - Dois Poetas e um Caminho.

terça-feira, 14 de maio de 2013


O Coletivo Correspondência Poética tem o prazer em convidar a todos os interessados a participarem da nossa OFICINA DE PRODUÇÃO DE PAPEL RECICLADO que terá início na próxima terça-feira(21/05) e funcionará de segunda a sexta-feira das 14:00 as 17:00 (Se houver interessados podemos fazer algumas no fim de semana) e irá até terça-feira dia(11/06).
Para mais informações: 98631-2671(falar com Alisson da Paz) ou correspondenciapoetica2010@gmail.com
Local: Rua Manoel Bragança, 114, Jd. São Luiz

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O poeta Caco Pontes lança o livro “Sensacionalíssimo”



Sidarta 

O filho do Brahma 
chutou o pau da barraca 
 pediu Nova Schin 
porque tava Mahabarata -- 





O poeta Caco Pontes lança o livro “Sensacionalíssimo”, pelo selo Edições Maloqueirista, em que é membro e articulador, em parceria com a Editora Kazuá. 
O título do livro se deve à abordagem temática que faz sátira a manchetes sensacionalistas, com humor ácido, apostando na fusão do poema com micro-narrativas, levando prefácio de Marcelino Freire e orelha de Xico Sá. 
As inspirações passam por jornalismo gonzo e tabloides pinga sangue (como o clássico Notícias Populares), trazendo à tona uma série de absurdos da natureza humana, com ilustrações de Rômulo Alexis e projeto gráfico de Victor Meira, numa proposta visual que utiliza de colagens, pixações, sobreposições e texturas psicodélicas. 
O autor fará caravana de lançamentos por diversos saraus no mês de maio: 
Sarau do Burro (07/5) A7MA - Rua Harmonia, 95 - 20h 
Sarau da Cooperifa (08/5) Bar do Zé Batidão - Rua Bartolomeu dos Santos, 797 - 20h 
Zap Slam (09/5) Núcleo Bartolomeu de Depoimentos - Rua Dr. Augusto de Miranda, 786 - 20h Récita Maloqueirista (11/5) Biblioteca Alceu Amoroso Lima - Rua Henrique Schaumann, 777 - 19h Sarau do Binho (13/5) Espaço Clariô - Rua Santa Luzia, 96 - 20h 
Sarau Suburbano (14/5) Rua Treze de Maio, 70, 2o. andar - 20h *** 


terça-feira, 23 de abril de 2013

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Funeral

Um banana. Batuta? que nada, ô. Bastou, o pai a mãe: tá! O afroxar do cabresto, num sabe? Imagine, o bicho saiu em disparada, galopando, babando e relinchando. Primeiro pela praça, feito como cão que cheira e mija, demarca. Uma graça. Depois pelas ruas de ladrilho, tropeçando caindo ralando marcando de sangue todo caminho. Até que deu na rua do seu Lazaro. Naquela construção, isso mesmo. Pois bem, meu amigo. Invadiu. Subiu até o topo, deu na laje. Pulou pulou e pulou, pulou mais um pouco, e como pulava e gargalhava, sorria entre soluços. Riu pra praça lá embaixo, acenou pro pai e pra mãe - pra mãe que não sorria, mas que respondia acenando -.
A vida é mesmo pouco, muito, muito pouco. Vejá só. O bicho sei lá como é que se enroscou tropeçou, mas caiu, é... caiu de papo, estirado, durinho da silva numa ponta de ferro, que deu no papo do bicho, abrindo caminho, dando na testa, fodendo-lhe o rosto todinho.

Ah mas se isso num é lá jeito de morrer, morreu, taí encaixotado o bichinho menino.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

FÊNIX DIVISADA

Um camaleão cego muda também de cor,
porque a sobrevivência é algo de pele.
Um cão resiste à fome por oito dias,
porque a sobrevivência é algo de pelo.
Um felino amarga uma quinzena sem presa,
porque a sobrevivência é algo de garra.
Uma ave aguarda semanas o esgotar da chuva,
porque a sobrevivência é algo de pena.
Um peixe se molda a todo sal do planeta,
porque a sobrevivência é algo de brânquia.
Um camelo sorve a água depois do deserto,
porque a sobrevivência é algo de boca.
Um morcego se esconde no fundo do escuro,
porque a sobrevivência é algo de sangue.
Um urso entra em transe no gelo dos polos,
porque a sobrevivência é algo de espera.
Um homem se reinventa por sob os escombros,
porque a sobrevivência é algo de eterno.

(Anderson de Oliveira-03-07-12 Belo Horizonte-MG)
 
andersonoliveira2002@yahoo.com.br

domingo, 25 de novembro de 2012

Oficina de Reciclagem de Papel no Recifran

O Coletivo Correspondência Poética estará realizando a oficina de recignificação do papel do dia 22/11 até o dia 11/12 no Serviço Franciscano de Apoio à Reciclagem – Recifran, segue as fotos da primeira oficina que trata de: A escrita antes do papel, A história da criação do papel, o papel como plataforma de difusão de conhecimento, o papel e a imprensa, recignificando o papel.










terça-feira, 23 de outubro de 2012

EU PENSAVA QUE A TERRA REMENDAVA COM O CÉU

No meu pensamento de antigamente,
Quando eu era menino,
O mundo, eu pensava
Que era que nem tocaia,
A terra remendava com o céu.

O sol,
Eu pensava que eram muitos,
Passando dias e dias.

A noite,
Eu pensava que era que nem fumaça,
Porque quando o sol ia embora,
A noite vinha cobrir o mundo.

O céu,
Eu pensava que era que nem ferro,
Nunca acaba.

A chuva,
Eu pensava que era alguma pessoa,
Que morava no céu e derramava água.

A água,
Eu pensava que eram alguns bichos grandes,
Esturrando em cima do céu.

O homem,
Eu pensava que só nós mesmos vivíamos,
Só nós mesmos, o povo Kaxinawá.

A língua,
Eu pensava que todo mundo falava
Na nossa língua mesmo, o Kaxinawá.

Um dia, eu vi um branco chegando na nossa casa falando diferente.
Mas eu pensava que quando eu fosse na casa dele, ele ia falar em Kaxinawá.
Um dia, eu fui viajar com meu pai, para ver onde estava a terra remendada com o ceú.
Nós íamos descendo o rio e quando passaram alguns dias perguntei ao meu pai onde estava a terra remendada com o céu.
Meu pai me disse que não estava remendada a terra com o céu.
Que o mundo é muito grande e não tem fim…
 
(Norberto Sales Tene Kaxinawá)
Antologia de Poesia Indígena
 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sou passarinho, por que canto e vôo!


Conto
Um conto
Ponto
A ponto
Desencanto
Canto
No canto
Só pra
Desafinar
Desalinhar
Des
Atar
Atazanar
Alinhavar
Voar
Eu vou...
Na linha,


por L

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Errânsia


sei que errei
errei com 'h' maiúsculo
e sempre que te ver
vou estar errando.
e usar gerúndio
fora do lugar
não é nada
frente a um coração
que tropeçou
ao conjugar o verbo amar

(Macalé)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sacro


Meu costumeiro verso
É sagrado,
Cheio de palavras
De espada,
Que cortam
O vento e o universo
Desfazendo a vida
Em tudo e nada.



(Ana Claudia Marques do livro “O poente, o poético e o perdido”)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Trabalho


"Trabalho, trabalho,
 trabalho , trabalho,
no fim do mês eu não vejo um tostão,
um tostão!"

www.beto-silva.blogspot.com.br

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

...

sonho o dia de parar de sonhar e viver a realidade.
os sonhos não seriam realidade?
realidades vividas e satisfeitas pelos açucares amados:
um sabor de vidas verdes e maduras raizes;
quero viver intensamente,
não só em livros de literaturas.
vai que eu vou.
e se você não for,
eu vou.

(Gil Marçal)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

PEQUENA JENIFER


Tudo bem pequena
suas flores são serenas
e a árvore perdôa
se lhe arranca as mariposas

A grama geme rindo
num rir-se toda em verde
pequena é tua boca
teu riso nasce imenso

Só tinha dois olhinhos
de amoras coloridas
a roupa cor de rosa
a prosa pouca e tímida

Se pode inventar nomes?
Pra flores pode sim
chamou-as Yasmins
e deu uma pra mim...

Marcus Vinícios

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

segunda-feira, 23 de julho de 2012

quarta-feira, 20 de junho de 2012

SUBLEVAÇÃO


tão banal
o quintal
desta cidade homicida

acostumada
à infância perdida
no farol fechado
à mulher apanhando
no instante ao lado
à intolerância pisando duro
a esperança no jardim

o negro ofuscado dos olhos
na noite amotinada
dos morros insones

gritando a miséria 
que se expande

tão boçal
a chacina matinal
desta civilização branca assassina

militarizando a vida
para perpetuar privilégios

o vermelho amordaçado dos olhos
nas passeatas dispersas
à gás e balas
refazendo-se a cada instante
intermitente
contra a vontade
dos impotentes
em seus tronos de cadáveres

tão vital
a alegria visceral
a graça real
da luta 
contra o que apropria

o verde livre dos olhos
no front abrindo prisões 
livros e janelas
asas e porões

(Solange Amorim)

terça-feira, 8 de maio de 2012

O TEMPO

O tempo é o mesmo
Mas temos tempos diferentes
O seu tempo nem sempre
Cabe no meu tempo

Há tempos que o meu
e o seu tempo
Esbarram-se
Há tempos que o meu tempo
passa e o seu nem ver

O tempo é mais que a sucessão
de dias, anos, horas
O tempo pode ser um tempo
De sentimentos ou de ausências

Que a ausência fique ausente
E que o sentimento
No seu tempo
No meu tempo
No nosso tempo
Esteja sempre presente

(Luciete Silva)
(Livro: PRIMEIRAS PROSAS - Coletivo sarau da ademar)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A LUA E EU

Lá fora a lua brilha, inspira
Dentro o amor é mel
Na boca saliva o gosto do fel
Lua viva em noite morta, sozinha
perdida em pensamentos...
a dor vem quando tento
inutilmente alcançar o entendimento
Fazendo carícias como um punhal que fere o peito
Havemos de combinar ó lua que brilha.
Ilumina-me!!!
Declame um poema estilo bossa
Onde eu não fique mossa
e possa
Ressurgir no olhar da alvorada
Linda e brilhante como tu
pra uma nova caminhada
Sem medo e nem rancor
Chega de dor!
Afinal
sou guerreira
mulher preta

( Lids Ramos )

quinta-feira, 26 de abril de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

ABANDONADOS

Tocamos a noite com as mãos,
escorrendo a escuridão por nossos dedos,
massageando-a como a pele de uma ovelha
                                                                    negra.

Nos abandodamos ao desamor,
ao desânimo de viver coletando horas no vazio,
nos dias que se deixam passar e voltam a se repetir,
intranscendentes,
sem marcas, nem sol, nem explosões radiantes de claridade.

Nos abandonamos dolorosamente à solidão,
sentimos a necessidade de amor por de baixo das unhas,
o vazio de um alicate no peito,
a lembrança e o ruído , como dentro de um caracol
que já viveu bastante num aquário da cidade
e mal leva concigo o eco do mar em seu labirinto de concha.

Como voltar a capturar o tempo?

Colocá-lo entre o corpo forte do desejo e a angústia,
fazê-lo retroceder acovardado
por nossa inquebrantável decisão?

Mas... quem sabe se poderemos recuperar o momento
                                                                         que perdemos.

Niguém pode predizer o passado
quando talvez já não sejamos os mesmos,
quando talvez já tenhamos esquecido
o nome da rua
onde
alguma vez
pudemos
nos encontrar.


(Gioconda Belli do Livro O olho da mulher)

terça-feira, 13 de março de 2012

Documentário do mapeamento por Renata Grazzini




O projeto Correspondência Poética promove a pesquisa e difusão da Literatura com ênfase na poesia, através da distribuição de pergaminhos feitos em papel reciclado contendo poesias produzidas por autores das periferias do Brasil.

Nossa paixão é a difusão da literatura como formação da cultura. Para isso estamos construindo um curta metragem experimental, cuja narrativa está baseada na construção tecida dos poemas escolhidos para o roteiro.

Das diversas possibilidades fílmicas escolhemos realizar cada poema, de um autor diferente sendo interpretado por uma mulher, atriz, em um espaço diferente na cidade de São Paulo.

Neste evento que estamos produzindo online lançamos os Vídeo Poemas do Projeto Correspondência Poética.

 
DOCUMENTÁRIO DO MAPEAMENTO

Hoje eu assisti um documentário
você fez
fez até bonito demais
eu estava lá

nós estávamos
nosso passado,
eu assisti hoje

Será que quando fez me fez na cabeça?
Lembrou?
Lembrei.
Falamos de favela,
Bairros,
Habitantes,
Artistas
e periferias

Discutimos
políticas e idéias
vagamos  pensamentos  e utopias
de um mundo melhor

Queríamos transformar com nossa arte,
nosso foco,
nossas edições

Editamos
Sonhei  esta noite com você
Foi feliz o sonho.

Tatiana Monte
Interpretado por Renata Grazzini
na fonte do Parque Ibirapuera


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

De Tantos em Tantos por Naruna Costa


O projeto Correspondência Poética promove a pesquisa e difusão da Literatura com ênfase na poesia, através da distribuição de pergaminhos feitos em papel reciclado contendo poesias produzidas por autores das periferias do Brasil.

Nossa paixão é a difusão da literatura como formação da cultura. Para isso estamos construindo um curta metragem experimental, cuja narrativa está baseada na construção tecida dos poemas escolhidos para o roteiro.

Das diversas possibilidades fílmicas escolhemos realizar cada poema, de um autor diferente sendo interpretado por uma mulher, atriz, em um espaço diferente na cidade de São Paulo.

Neste evento que estamos produzindo online lançamos os Vídeo Poemas do Projeto Correspondência Poética.


TANTOS EM TANTOS

Tantas terras no Brasil
Tantos latifúndios
Tanta comida no Brasil
Tanta fome
Tanta água no Brasil
Tanta seca
Tanta riqueza no Brasil
Tanta miséria
Tanta gente no Brasil
Tanta solidão
Tanta escola no Brasil
Tantos analfabetos
De tantos em tantos
Vamos sobrevivêndo
Só não sei até quando.

Luan Luando
Interpretado por Naruna Costa
 No Cristo Redentor de Taboão da Serra

domingo, 19 de fevereiro de 2012

TOMAR UM CAFÉ

Se tristeza fosse necessária
Começaria hoje mesmo a comover-me, de tristeza,
Mas comovo-me somente de saudades
Daqueles antigos, que morreram em minha terra
E hoje, como antes, parecem comigo
A arder como fogo em pinha.

E entre os muros erguidos da modernidade,
Somem-se os cantadores da noite.
Os sobressaltos saudosos
Das passarelas de água sobre a sarjeta.
E ando a ver o Ribatejo,
Na cegueira de outrem
Sóbrio, tão sóbrio quanto posso
Para conspirar um conto.

Terra que canta
Que me sobe um tanto além
E canta sempre o Outono,
O velho, o morto,
O outro.
Parti-me em tantos
E hoje perco-me em muitos.
Passou.

(Paulo Antônio Saraiva Pereira Velente)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

LANÇAMENTO DE LIVRO






Hoje 23/01 lançamento do livro PEQUENOS GOLPES no Sarau do Binho


sábado, 21 de janeiro de 2012

DA PAZ



Eu não sou da paz.

Não sou mesmo não. Não sou. Paz é coisa de rico. Não visto camiseta nenhuma, não, senhor. Não solto pomba nenhuma, não, senhor. Não venha me pedir para eu chorar mais. Secou. A paz é uma desgraça.

Uma desgraça.

Carregar essa rosa. Boba na mão. Nada a ver. Vou não. Não vou fazer essa cara. Chapada. Não vou rezar. Eu é que não vou tomar a praça. Nessa multidão. A paz não resolve nada. A paz marcha. Para aonde marcha? A paz fica bonita na televisão. Viu aquela atriz? No trio elétrico, aquele ator?

Se quiser, vá você, diacho. Eu é que não vou. Atirar uma lágrima. A paz é muito organizada. Muito certinha, tadinha. A paz tem hora marcada. Vem governador participar. E prefeito. E senador. E até jogador. Vou não.

Não vou.

A paz é perda de tempo. E o tanto que eu tenho para fazer hoje. Arroz e feijão. Arroz e feijão. Sem contar a costura. Meu juízo não está bom. A paz me deixa doente. Sabe como é? Sem disposição. Sinto muito. Sinto. A paz não vai estragar o meu domingo.

A paz nunca vem aqui, no pedaço. Reparou? Fica lá. Está vendo? Um bando de gente. Dentro dessa fila demente. A paz é muito chata. A paz é uma bosta. Não fede nem cheira. A paz parece brincadeira. A paz é coisa de criança. Tá uma coisa que eu não gosto: esperança. A paz é muito falsa. A paz é uma senhora. Que nunca olhou na minha cara. Sabe a madame? A paz não mora no meu tanque. A paz é muito branca. A paz é pálida. A paz precisa de sangue.

Já disse. Não quero. Não vou a nenhum passeio. A nenhuma passeata. Não saio. Não movo uma palha. Nem morta. Nem que a paz venha aqui bater na minha porta. Eu não abro. Eu não deixo entrar. A paz está proibida. Proibida. A paz só aparece nessas horas. Em que a guerra é transferida. Viu? Agora é que a cidade se organiza. Para salvar a pele de quem? A minha é que não é. Rezar nesse inferno eu já rezo. Amém. Eu é que não vou acompanhar andor de ninguém. Não vou.

Não vou.

Sabe de uma coisa: eles que se lasquem. É. Eles que caminhem. A tarde inteira. Porque eu já cansei. Eu não tenho mais paciência. Não tenho. A paz parece que está rindo de mim. Reparou? Com todos os terços. Com todos os nervos. Dentes estridentes. Reparou? Vou fazer mais o quê, hein?

Hein?

Quem vai ressuscitar meu filho, o Joaquim? Eu é que não vou levar a foto do menino para ficar exibindo lá embaixo. Carregando na avenida a minha ferida. Marchar não vou, muito menos ao lado de polícia. Toda vez que vejo a foto do Joaquim, dá um nó. Uma saudade. Sabe? Uma dor na vista. Um cisco no peito. Sem fim. Uma dor. Dor. Dor. Dor.

Dor.

A minha vontade é sair gritando. Urrando. Soltando tiro. Juro. Meu Jesus! Matando todo mundo. É. Todo mundo. Eu matava, pode ter certeza. Todo mundo. Mas a paz é que é culpada. Sabe?

A paz é que não deixa.


Marcelino Freire

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sem nome



A tv em cores
explode em
pretos e brancos

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Grande Ideia



Não quero que as grandes ideias




mova a grande massa




quero que a grande massa




mova as grandes ideias.






Luan Luando.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

MORADA




O céu cabe num contrato ?
O sangue, em cartório se lavra ?
O abraço de nenê, que ressuscita
  pode ser registrado em patente ?
O mar, majestoso milenar
quem pode tê- lo em protocolo ? Certidão ?
Pode um homem ser dono das estrelas ?
( firma reconhecida ?)

Quem carimbou o chão do mundo ?

Poesia de Allan da Rosa
 do livro Morada
com fotografias de Guma
e escritos e Allan.
livro que pode ser baixado no site da edições toró
http://www.edicoestoro.net/nossos-livros/fotopropoe.html

terça-feira, 1 de novembro de 2011

PRAGA





-Pode ir, vai. Pode ir. Um dia tenho certeza que: você vai se arrepender.
Sabe por quê? Eu sou a mulher da sua vida. Você nunca vai encontrar ninguém igual a mim. Ninguém!
-Tomara, " meu bem ". A ideia é justamente essa.






Rodrigo Ciríaco

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Rodrigo Ciríaco

A literatura tá na rua, tá no bar, tá no ponto de ônibus. A literatura tá em movimento, na periferia e na américa-latina toda. A literatura tá falada, tá almada, parece pessoa. A literatura voa em muitas vozes. Se aninha eu muitos corações. A literatura cria a cina de ser ação. Muda a cena. Debate o dilema no refrão. A literatura ta de pé no chão, correndo junto, juntando gente. A literatura mudou traço, foi pra linha de frente. A literatura está resistente. Ta mandigueira. A literatura num ta de bobeira não, jão.

Se liga só no Rodrigo Ciríaco recitando o conto ABC.
AH, MULEQUE-DOIDO!





Deus é brasileiro. Mas quem manda é o Marcola. É, ele é o patrão. Ah prussôr, eu não vou entrar não. Ele é quem manda. Tá bom, tá bom, já que o senhor insiste. Mas ó, não vou fazer lição. Ah, muleque-doido! Tô cansado. Quatro da manhã ainda era noite, Jão. Só fazendo avião. Depois, o Play 2. Não é mole não. O jogo é bravo. Exige concentração. Que fita que eu tenho? Daquela de tiro. Plá! Plá! Plá! Me imagino tipo com uma sete-meia-cinco. Mas logo mais eu tô com uma automática na mão. É, cê vai ver, doidão.

Ah prussôr, não vou fazer lição não. Não entendo nada mesmo. Tô cansado de ficar só copiando. Num sei lê, num sei escrevê. Contá? Contá eu conto, claro. Trabalho com dinheiro vivo. Se eu não contá quem é que garante a minha mesada? É, a vida é cara. Quem paga meu tênis, minhas roupa de marca? Quem? Pai e mãe num tenho. Já foi. Tudo morto. Só balaço. Mas eu nem ligo. Já cicatrizô. Nem choro. É rapá, homem não chora. Só Jesus chorou. O cara era gente fina, mas ó, muito pacífico. Comigo não, é na bala. Minha vida é na quebrada. E no esquema. Nem olhe pra minha cara. Olhô, plá! Levô tiro.

Quem guia a minha mão é o Marcola. Se eu já matei? Eh prussôr, da missa cê não sabe o terço? Já tenho treze anos pô. Sô bicho solto, bicho feito. Tô enquadrado. É, já tô viradasso. Já paguei até veneno. Um ano na FEBEM. Várias rebelião e o caralho. Tô aqui de L.A., só por causa do juiz. Mêmo assim, num tem quem me segura. Fico pelos corredor, só nas fissura. Dando umas volta, ganhando a fita. Estudá? Só entro na aula do senhor porque o prussôr é gente fina. Mas não estudo não. E só entro de vez em quando. É, não tem mais jeito, Jão. É feio ficar chorando pelo que se rebentô, já se estragô. Tem defeito. Minha vida agora é assim, só no arrebento. Mudá? Só se for de ponto. De vida eu não quero não. Tô bem, prussôr. Valeu a preocupação, satisfação.

Ah, muleque-doido! Ó, tô saindo. Cansei de ficar na sala de aula, na escola, sei lá. Aqui é tudo muito parado. Vou pra rua. Lá que é o barato. É. Lá eu já sou mestre.


conto do livro TE PEGO LÁ FORA,
de Rodrigo Ciríaco - Edições Toró, São Paulo, 2008
(O video acima foi uma realização do Correspondência Poética e do Bloco do Beco em parceria com o Ponto de Cultura MORARTE)