Correspondência Poética: poesia periferia
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terça-feira, 8 de novembro de 2011

MORADA




O céu cabe num contrato ?
O sangue, em cartório se lavra ?
O abraço de nenê, que ressuscita
  pode ser registrado em patente ?
O mar, majestoso milenar
quem pode tê- lo em protocolo ? Certidão ?
Pode um homem ser dono das estrelas ?
( firma reconhecida ?)

Quem carimbou o chão do mundo ?

Poesia de Allan da Rosa
 do livro Morada
com fotografias de Guma
e escritos e Allan.
livro que pode ser baixado no site da edições toró
http://www.edicoestoro.net/nossos-livros/fotopropoe.html

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Alembramentos

Alembro de um tempo
que o mundo
era maior, bem maior
e cabia dentro do nosso abraço

Alembro do dia
que vi um canarinho
lacribeijando o sol
lhe dando de beber
  
Alembro de cores minhas
ausentes
que por fim
não esbarro mais

Alembro que eu gostava
de vagar por aí
a ouvirtude
que o silêncio dizia

Até uma vez,
ainda miúdo,
me ensinaram
que "Alembrar"
é um erro!

depois disso:
tem coisa que não lembro
mas do resto me alembro de tudo!

Michel Yakini

terça-feira, 5 de julho de 2011

A TUA FORÇA

Tu tens a tua força, para recomeçar
Só tens de buscá-la dentro do teu coração
Tens o direito de acreditar
Que tua vida não é só sonhos e solidão

És poeta, escreves lindas poesias
Escreves com amor e sentimento
A quem te lê, dás prazer e muitas alegrias
Dás vida a cada teu pensamento

Não penses que vou deixar-te desistir
Nunca, jamais deixarei de apoiar-te
Quando vir-te triste, faço-te sorrir
Se vir-te a chorar, vou amar-te

Acredita, dás-me uma força imensa
Quando me acolhes em teu colo
Passas-me confiança e muita crença
E quando choro, dás-me amor e consolo

És um homem íntegro, mas solitário
Um pai extremoso e cheio de amor
Um ser maravilhoso, e não digas o contrario
Bem és aquilo que és, um sonhador

Rosa Santos

segunda-feira, 4 de julho de 2011

‎"ÚLTIMO POEMA"


ninguém me rege!
nem deus nem o diabo.

não sigo a lei dos homens, nem dos anjos.
dispenso mapas, bulas e recomendações de boa conduta.
desacredito, desacredito, desacredito
exercito minha auto-destruição
percorro no breu embriagado
não sei se volto, se vou...
nem há propósito em chegar (ou fugir)
desafio a lógica,
publico escrúpulos
busco o prazer
e não dou satisfação pro além.

terça-feira, 28 de junho de 2011

O Ciúme


Em meu lado abelhudo ela se fez flor
Mas a minha vaidade de desertor
Me disse pra fugir desse amor
Margarida singela era até cheirosa
Mas sequer chegava aos pés de rosa
Com suas múltiplas pétalas formosas
Ao descobrir que eu era beija-flor
Deu ouvido aos ventos do rancor
E para mim nunca mais desabrochou
De que adianta ser possessiva margarida
Se até as lagartas que rasteja por ti cria asas
Tenho ninho, e aconchego de passarinho
Mas não sou joão-de-barro pra ter casa

Poesia: Casulo
Livro: Do olho pra fora mora a liberdade

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Eu quero saber

Eu quero saber o que vamos fazer
sobre a miséria sentimental,
 
pois queremos chorar
pois queremos sofrer
seja bom ou seja mau

Eu quero saber o que vamos fazer
sobre a carência emocional,
 
pois queremos amar
pois queremos viver
ame bem ou viva mal
 
Wilian Janez

terça-feira, 17 de agosto de 2010

...



sei
apenas pela consciência de meu corpo físico
não há outra amarra, senão esta

viver é aprender a tocar um tambor

e eu os escuto noite e dia,
vem chegando,
selam a paz que eu não alcanço com meus sentidos básicos,

sim, porque não existem os tambores, nem quem os toque
mas os ouço e me tocam,

foram feitos com minha própria pele,
banhados em meu sangue para amolecer,
amarrados com as tranças dos cabelos que ainda não me vieram.

é o canto da mata
todas as árvores da floresta
e os seres que me habitam e os sou
convidando-me a lembrar (-me)

saber-me

ouvir-me

 Aline Binns
www.matasagrada.blogspot.com 

domingo, 25 de julho de 2010

AQUARELA de Sérgio Vaz


.
Crianças
são negras
brancas
rosas
e marrons.
Têm olhos
verdes
castanhos
claros
escuros
pretos
e azuis.
Por isso,
mesmo com o futuro
em preto e branco
para elas,
as ruas,
são sempre coloridas.
.
Sérgio Vaz 

www.colecionadordepedras1.blogspot.com

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Extrabismos - Ana Paula dos Santos Risos

Tava na fila do bilhete de metrô
precisava arrumar cinco centavos
pra comprar , chegou bem de perto
um chamado Wesley, 7 anos:
-Tia me dá uma moeda.
- Ô fio eu num tenho nem o do metrô,
completo.
- Cê qué tia? Eu te arrumo.

Ana Paula dos Santos Risos

Ah Poeta - Elizandra Souza

Ah Poeta quando será

que vou ser sua poesia?

Sua inspiração mais abençoada!

A sua estrofe encantada!

Vento suave nas primeiras

horas do dia

Elizandra Souza

DEVANEIOS - O AUGUSTO

DEVANEIOS

Gente desempregada
não acha colocação,
quase sempre despreparada
pra determinada função.

Como antigos guerreios
da tropa de Napoleão,
servem só de estandartes,
levando o nome de uma corporação

Em troca do kit sobrevivência:
salário, transporte e alimentação.

Se não sabe o que estou falando,
no shopping, preste atenção
na mocinha que trabalha
domingo no calorão,
atendendo a elite que indaga
quais as tendências do verão.

Ela sorri e mostra,
pensando na comissão,
servindo pobres almas ricas,
que buscam ostentação.

Mas sua cabeça vai longe,
está lá no Taboão
visualizando o filho,
em frente à televisão,
que só tem a companhia
da avó e do Faustão.

O AUGUSTO

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Periferia tem fome

Segunda-feira saímos para colocar as poesias nos terminais de ônibus, a idéia era distribuir 200 poemas por semana em cada terminal: João Dias, Capelinha e Santo Amaro. Pelas contas seriam 2400 poemas por mês, mais de 14 mil em 8 meses, porém para nossa surpresa as 200 poesias não duraram nem 2 horas.  A periferia tem fome e tem fome de poesia, e como já dizia Solano Trindade, se tem gente com fome dá de comer, se tem gente com fome dá de comer.

Perante a situação resolvemos pedir contribuições aos amigos para conseguir, papéis, poemas e tudo o mais que seja possivel para colocarmos mais poemas nos terminais.

Se você tem ai papéis, poemas, ou mesmo idéias escreva para nós correspondenciapoetica2010@gmail.com sua ajuda será muito bem vinda.


terça-feira, 13 de julho de 2010

Correspondência Poética por Shidon Soares

Correspondência Poética


Poesia em Movimento



Alisson da Paz diz que  está obcecado com os pontos de ônibus. "Concentram as maiores taxas de perda de tempo da periferia". Dessa obsessão sua nasceu à alguns meses, em outubro de 2009, o projeto Correspondência Poética, com a amiga Michelle Correa, mais tarde a equipe cresceu e começaram a escrever poemas a mão, para dar de presente nos pontos de ônibus da periferia sul de São Paulo.






Era uma maneira de amenizar a viagem dos trabalhadores da periferia, que iniciam sua jornada diária desgastante para o centro da cidade, enquanto aproximam os trabalhadores da poesia e de um objeto belo, em si mesmo: os poemas. Estes são escritos em papéis reciclados produzidos a partir de oficinas. Sugerindo à quem recebe que o poema é feito especialmente para ele. E, como a maioria dos poemas são de autores periféricos, "falam a língua do povo", nas palavras de Alisson. Assim, muitas pessoas que nunca estiveram perto da literatura,  descobrem que a poesia pode ser algo muito mais próximo do que eles imaginavam. 

A eloquencia de Alisson é animadora, contagiante. "Muitos ficam receosos, quando entrego o poema para eles, pensam que quero algo em troca. Sabemos que as pessoas não estão acostumadas a receber presentes", diz ele. É talvez o mais autoral dos projetos que estão produzindo. Porque se tem alguma coisa que não falta são idéias na periferia sul de São Paulo. Os saraus de poesia formam um movimento social e cultural de muitos lados: enquanto os poemas escritos à mão por Michelle são entregues em terminais de ônibus, a bicicloteca de Binho percorre o Campo Limpo distribuindo  livrosPorque, como disse o Alisson, o conhecimento tem que estar em circulação. A poesia deve se mover.

Acessem o site do Correspondência Poética e saiba mais sobre o projeto:

Matéria escrita por nossa Correspondente Poética – Nazaret Castro -  www.sambaytango.blogspot.com
Tradução do Espanhol – David Vidad – www.davidnoar.blogspot.com

Poesía en movimiento

Alisson da Paz dice estar obsesionado con las paradas de autobús. “Concentran los mayores índices de pérdida de tiempo de la periferia”, suele decir. De esta obsesión suya nació hace unos meses el proyecto Correspondência Poética: junto a su amiga Michelle Correa –más tarde el equipo iría creciendo-, comenzaron a escribir a mano poemas, para regalarlos en las paradas del colectivo de la metrópoli paulistana.

Era un modo de amenizar el viaje a los trabajadores de la periferia, embarcados en su agotador periplo diario hacia el centro de la ciudad, y al mismo tiempo acercarles a la poesía de la mano de un objeto hermoso en sí mismo: los poemas se escriben sobre papeles reciclados de colores y el hecho de estar manuscritos sugiere a quien lo recibe que se trata de algo especialmente hecho para él. Y, como la mayoría de los poemas son de autores periféricos, “hablan el lenguaje del pueblo”, en palabras de Alisson. De ahí que muchas personas que nunca se habían acercado a la literatura descubran que la poesía puede ser algo mucho más cercano a ellos de lo que habían imaginado.

La vehemencia de Alisson es arrolladora, chispeante. “Muchos mostraban su reserva cuando les entregábamos el pergamino, creían que queríamos algo a cambio. Será que la gente no está acostumbrada a recibir regalos”, cuenta. Es quizá el más personal de los proyectos en los que está embarcado. Porque si algo no faltan son ideas en la periferia sur de São Paulo. Los saraos de poesía han crecido hasta conformar todo un movimiento social y cultural de muchas aristas: mientras las poesías escritas a mano por Michelle son entregadas en las improvisadas marquesinas de Campo Limpo, la bicicloteca de su amigo Binho recorre esos mismos lugares repartiendo libros. Porque, como dice Alisson, el conocimiento tiene que estar en circulación. La poesía debe estar en movimiento.
 
Por Nazaret Castro - Correspondente Poética

domingo, 11 de julho de 2010

SONETO PERPÉTUO


Poetizar é dar mais cor e encanto à vida
É externar os sentimentos mais velados
Deixar o sonho em versos ser transformado
E a emoção em estrofes ser traduzida

A arte de expressar o amor é do poeta

Que das mãos divinas recebeu o dom
Da inspiração de versejar em suave tom
Que toca a alma, reconforta e aquieta...

Seja o poeta aquele que irá transmitir

O que o âmago em silêncio está dizendo
E o coração está deveras a sentir

E o ecoar dos versos vai ultrapassando

A tênue linha imaginária do horizonte
Para com o cosmos ir então se perpetuando...


LOURDES NEVES CÚRCIO

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Correspondência Poética nos becos do Capão Redondo


Correspondências Poéticas sendo entregas nos becos e vielas do Capão Redondo, 
minutos antes do Sarau Vila Fundão.

" Prosseguimos Protestando
Pedindo Paz para a Pátria,
Punição pros poderosos,
Pão pros pequenos,
Pétalas,
Poder Popular,
Prosseguimos protestando
Pedindo principalmente
Poesia pra Periferia" 

Trecho do Poema Mulher com P de Bruna Ribeiro

Sorte Cega de Cristina Roseno

Minha alma engasga,
a garoa molha meu nariz.
A dureza de trazer de volta pra mim o poder sobre meu querer,
me faz ter a certeza de que o que as vezes o corpo deseja o que faz mal ao coração.
Não há nada de mal na realidade, mas não temos tudo.
Então entre o ir e ficar existe um abismo profundo d'onde não consigo sair.
Por isso, darei meu passo adiante de olhos fechados,
pois sofro se fico e sofro se vou.

O teu olhar de Cristina Roseno

Por causa do teu olhar parei
Pensei em viver algo diferente
Dancei, olhei - com toda graça que podia olhar
Sem pensar em nada, salivei

Um olhar que tentei fugir
mas não consegui evitar
Tão doce que comi
e me deu sede de sentir
o que podia me causar

Transcendi, engasguei, fiquei sem ar
É tão novo, e querer antigo
a ponto de retornar à razão
de estar aqui

Essa mistura de medo e desejo
me faz querer caminhar
Me levou em direção à Lua
e já não sei como voltar

Cristina Roseno


Primeiro poema recebido pelo Correspondência via Blog
Mande o seu correspondenciapoetica2010@gmail.com