Correspondência Poética

sexta-feira, 14 de março de 2014

Como fazer papel reciclado passo a passo.


Oficina do Correspondência Poética no Sacolão das Artes.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Naruna Costa recita Da Paz de Marcelino Freire



Naruna Costa recita Da Paz de Marcelino Freire

Da Paz

Eu não sou da paz.

Não sou mesmo não. Não sou. Paz é coisa de rico. Não visto camiseta nenhuma, não, senhor. Não solto pomba nenhuma, não, senhor. Não venha me pedir para eu chorar mais. Secou. A paz é uma desgraça.

Uma desgraça.

Carregar essa rosa. Boba na mão. Nada a ver. Vou não. Não vou fazer essa cara. Chapada. Não vou rezar. Eu é que não vou tomar a praça. Nessa multidão. A paz não resolve nada. A paz marcha. Para onde marcha? A paz fica bonita na televisão. Viu aquele ator?

Se quiser, vá você, diacho. Eu é que não vou. Atirar uma lágrima. A paz é muito organizada. Muito certinha, tadinha. A paz tem hora marcada. Vem governador participar. E prefeito. E senador. E até jogador. Vou não.

Não vou.

A paz é perda de tempo. E o tanto que eu tenho para fazer hoje. Arroz e feijão. Arroz e feijão. Sem contar a costura. Meu juízo não está bom. A paz me deixa doente. Sabe como é? Sem disposição. Sinto muito. Sinto. A paz não vai estragar o meu domingo.

A paz nunca vem aqui, no pedaço. Reparou? Fica lá. Está vendo? Um bando de gente. Dentro dessa fila demente. A paz é muito chata. A paz é uma bosta. Não fede nem cheira. A paz parece brincadeira. A paz é coisa de criança. Tá uma coisa que eu não gosto: esperança. A paz é muito falsa. A paz é uma senhora. Que nunca olhou na minha cara. Sabe a madame? A paz não mora no meu tanque. A paz é muito branca. A paz é pálida. A paz precisa de sangue.

Já disse. Não quero. Não vou a nenhum passeio. A nenhuma passeata. Não saio. Não movo uma palha. Nem morta. Nem que a paz venha aqui bater na minha porta. Eu não abro. Eu não deixo entrar. A paz está proibida. A paz só aparece nessas horas. Em que a guerra é transferida. Viu? Agora é que a cidade se organiza. Para salvar a pele de quem? A minha é que não é. Rezar nesse inferno eu já rezo. Amém. Eu é que não vou acompanhar andor de ninguém. Não vou. Não vou.

Sabe de uma coisa: eles que se lasquem. É. Eles que caminhem. A tarde inteira. Porque eu já cansei. Eu não tenho mais paciência. Não tenho. A paz parece que está rindo de mim. Reparou? Com todos os terços. Com todos os nervos. Dentes estridentes. Reparou? Vou fazer mais o quê, hein?

Hein?

Quem vai ressuscitar meu filho, o Joaquim? Eu é que não vou levar a foto do menino para ficar exibindo lá embaixo. Carregando na avenida a minha ferida. Marchar não vou, ao lado de polícia. Toda vez que vejo a foto do Joaquim, dá um nó. Uma saudade. Sabe? Uma dor na vista. Um cisco no peito. Sem fim. Ai que dor! Dor. Dor. Dor.

A minha vontade é sair gritando. Urrando. Soltando tiro. Juro. Meu Jesus! Matando todo mundo. É. Todo mundo. Eu matava, pode ter certeza. A paz é que é culpada. Sabe, não sabe?

A paz é que não deixa.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Balão

 
Vai balão. Voa alto.
Deixa pra trás o chão
Vagando por mil lugares
Sobre terras, sobre mares.
Vai, pois tu podes e eu não.

Vai. Destinado. Soberano.
Sob o céu, sobre o oceano.
Voa alto, deixa pra trás o chão.
Vai, pois tu podes e eu não.

Siga firme, oh! Rei das alturas.
E por onde passares, assimile as culturas
Pois quando voltares cheio de saber
Estarei pronto
Para contigo aprender.

Vai, mas volte, meu amigo
Pois quem vai, um dia vem.
Se voltares acredito
Que tu podes e eu também.

Serginho Poeta

Poema do Livro
Donde Miras - Dois Poetas e um Caminho.

terça-feira, 14 de maio de 2013


O Coletivo Correspondência Poética tem o prazer em convidar a todos os interessados a participarem da nossa OFICINA DE PRODUÇÃO DE PAPEL RECICLADO que terá início na próxima terça-feira(21/05) e funcionará de segunda a sexta-feira das 14:00 as 17:00 (Se houver interessados podemos fazer algumas no fim de semana) e irá até terça-feira dia(11/06).
Para mais informações: 98631-2671(falar com Alisson da Paz) ou correspondenciapoetica2010@gmail.com
Local: Rua Manoel Bragança, 114, Jd. São Luiz

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O poeta Caco Pontes lança o livro “Sensacionalíssimo”



Sidarta 

O filho do Brahma 
chutou o pau da barraca 
 pediu Nova Schin 
porque tava Mahabarata -- 





O poeta Caco Pontes lança o livro “Sensacionalíssimo”, pelo selo Edições Maloqueirista, em que é membro e articulador, em parceria com a Editora Kazuá. 
O título do livro se deve à abordagem temática que faz sátira a manchetes sensacionalistas, com humor ácido, apostando na fusão do poema com micro-narrativas, levando prefácio de Marcelino Freire e orelha de Xico Sá. 
As inspirações passam por jornalismo gonzo e tabloides pinga sangue (como o clássico Notícias Populares), trazendo à tona uma série de absurdos da natureza humana, com ilustrações de Rômulo Alexis e projeto gráfico de Victor Meira, numa proposta visual que utiliza de colagens, pixações, sobreposições e texturas psicodélicas. 
O autor fará caravana de lançamentos por diversos saraus no mês de maio: 
Sarau do Burro (07/5) A7MA - Rua Harmonia, 95 - 20h 
Sarau da Cooperifa (08/5) Bar do Zé Batidão - Rua Bartolomeu dos Santos, 797 - 20h 
Zap Slam (09/5) Núcleo Bartolomeu de Depoimentos - Rua Dr. Augusto de Miranda, 786 - 20h Récita Maloqueirista (11/5) Biblioteca Alceu Amoroso Lima - Rua Henrique Schaumann, 777 - 19h Sarau do Binho (13/5) Espaço Clariô - Rua Santa Luzia, 96 - 20h 
Sarau Suburbano (14/5) Rua Treze de Maio, 70, 2o. andar - 20h *** 


terça-feira, 23 de abril de 2013

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Funeral

— Um banana. Batuta? que nada, ô. Bastou, o pai a mãe: tá! O afroxar do cabresto, num sabe? Imagine, o bicho saiu em disparada, galopando, babando e relinchando. Primeiro pela praça, feito como cão que cheira e mija, demarca. Uma graça. Depois pelas ruas de ladrilho, tropeçando caindo ralando marcando de sangue todo caminho. Até que deu na rua do seu Lazaro. Naquela construção, isso mesmo. Pois bem, meu amigo. Invadiu. Subiu até o topo, deu na laje. Pulou pulou e pulou, pulou mais um pouco, e como pulava e gargalhava, sorria entre soluços. Riu pra praça lá embaixo, acenou pro pai e pra mãe - pra mãe que não sorria, mas que respondia acenando -.
A vida é mesmo pouco, muito, muito pouco. Vejá só. O bicho sei lá como é que se enroscou tropeçou, mas caiu, é... caiu de papo, estirado, durinho da silva numa ponta de ferro, que deu no papo do bicho, abrindo caminho, dando na testa, fodendo-lhe o rosto todinho.

Ah mas se isso num é lá jeito de morrer, morreu, taí encaixotado o bichinho menino.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

FÊNIX DIVISADA

Um camaleão cego muda também de cor,
porque a sobrevivência é algo de pele.
Um cão resiste à fome por oito dias,
porque a sobrevivência é algo de pelo.
Um felino amarga uma quinzena sem presa,
porque a sobrevivência é algo de garra.
Uma ave aguarda semanas o esgotar da chuva,
porque a sobrevivência é algo de pena.
Um peixe se molda a todo sal do planeta,
porque a sobrevivência é algo de brânquia.
Um camelo sorve a água depois do deserto,
porque a sobrevivência é algo de boca.
Um morcego se esconde no fundo do escuro,
porque a sobrevivência é algo de sangue.
Um urso entra em transe no gelo dos polos,
porque a sobrevivência é algo de espera.
Um homem se reinventa por sob os escombros,
porque a sobrevivência é algo de eterno.

(Anderson de Oliveira-03-07-12 Belo Horizonte-MG)
 
andersonoliveira2002@yahoo.com.br

domingo, 25 de novembro de 2012

Oficina de Reciclagem de Papel no Recifran

O Coletivo Correspondência Poética estará realizando a oficina de recignificação do papel do dia 22/11 até o dia 11/12 no Serviço Franciscano de Apoio à Reciclagem – Recifran, segue as fotos da primeira oficina que trata de: A escrita antes do papel, A história da criação do papel, o papel como plataforma de difusão de conhecimento, o papel e a imprensa, recignificando o papel.










terça-feira, 23 de outubro de 2012

EU PENSAVA QUE A TERRA REMENDAVA COM O CÉU

No meu pensamento de antigamente,
Quando eu era menino,
O mundo, eu pensava
Que era que nem tocaia,
A terra remendava com o céu.

O sol,
Eu pensava que eram muitos,
Passando dias e dias.

A noite,
Eu pensava que era que nem fumaça,
Porque quando o sol ia embora,
A noite vinha cobrir o mundo.

O céu,
Eu pensava que era que nem ferro,
Nunca acaba.

A chuva,
Eu pensava que era alguma pessoa,
Que morava no céu e derramava água.

A água,
Eu pensava que eram alguns bichos grandes,
Esturrando em cima do céu.

O homem,
Eu pensava que só nós mesmos vivíamos,
Só nós mesmos, o povo Kaxinawá.

A língua,
Eu pensava que todo mundo falava
Na nossa língua mesmo, o Kaxinawá.

Um dia, eu vi um branco chegando na nossa casa falando diferente.
Mas eu pensava que quando eu fosse na casa dele, ele ia falar em Kaxinawá.
Um dia, eu fui viajar com meu pai, para ver onde estava a terra remendada com o ceú.
Nós íamos descendo o rio e quando passaram alguns dias perguntei ao meu pai onde estava a terra remendada com o céu.
Meu pai me disse que não estava remendada a terra com o céu.
Que o mundo é muito grande e não tem fim…
 
(Norberto Sales Tene Kaxinawá)
Antologia de Poesia Indígena
 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sou passarinho, por que canto e vôo!


Conto
Um conto
Ponto
A ponto
Desencanto
Canto
No canto
Só pra
Desafinar
Desalinhar
Des
Atar
Atazanar
Alinhavar
Vá
Voar
Eu vou...
Na linha,


por L