Correspondência Poética: Poesia em movimento
Mostrando postagens com marcador Poesia em movimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia em movimento. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de julho de 2010

Correspondência Poética


Poesia em Movimento



Alisson da Paz diz que  está obcecado com os pontos de ônibus. "Concentram as maiores taxas de perda de tempo da periferia". Dessa obsessão sua nasceu à alguns meses, em outubro de 2009, o projeto Correspondência Poética, com a amiga Michelle Correa, mais tarde a equipe cresceu e começaram a escrever poemas a mão, para dar de presente nos pontos de ônibus da periferia sul de São Paulo.






Era uma maneira de amenizar a viagem dos trabalhadores da periferia, que iniciam sua jornada diária desgastante para o centro da cidade, enquanto aproximam os trabalhadores da poesia e de um objeto belo, em si mesmo: os poemas. Estes são escritos em papéis reciclados produzidos a partir de oficinas. Sugerindo à quem recebe que o poema é feito especialmente para ele. E, como a maioria dos poemas são de autores periféricos, "falam a língua do povo", nas palavras de Alisson. Assim, muitas pessoas que nunca estiveram perto da literatura,  descobrem que a poesia pode ser algo muito mais próximo do que eles imaginavam. 

A eloquencia de Alisson é animadora, contagiante. "Muitos ficam receosos, quando entrego o poema para eles, pensam que quero algo em troca. Sabemos que as pessoas não estão acostumadas a receber presentes", diz ele. É talvez o mais autoral dos projetos que estão produzindo. Porque se tem alguma coisa que não falta são idéias na periferia sul de São Paulo. Os saraus de poesia formam um movimento social e cultural de muitos lados: enquanto os poemas escritos à mão por Michelle são entregues em terminais de ônibus, a bicicloteca de Binho percorre o Campo Limpo distribuindo  livrosPorque, como disse o Alisson, o conhecimento tem que estar em circulação. A poesia deve se mover.

Acessem o site do Correspondência Poética e saiba mais sobre o projeto:

Matéria escrita por nossa Correspondente Poética – Nazaret Castro -  www.sambaytango.blogspot.com
Tradução do Espanhol – David Vidad – www.davidnoar.blogspot.com

Poesía en movimiento

Alisson da Paz dice estar obsesionado con las paradas de autobús. “Concentran los mayores índices de pérdida de tiempo de la periferia”, suele decir. De esta obsesión suya nació hace unos meses el proyecto Correspondência Poética: junto a su amiga Michelle Correa –más tarde el equipo iría creciendo-, comenzaron a escribir a mano poemas, para regalarlos en las paradas del colectivo de la metrópoli paulistana.

Era un modo de amenizar el viaje a los trabajadores de la periferia, embarcados en su agotador periplo diario hacia el centro de la ciudad, y al mismo tiempo acercarles a la poesía de la mano de un objeto hermoso en sí mismo: los poemas se escriben sobre papeles reciclados de colores y el hecho de estar manuscritos sugiere a quien lo recibe que se trata de algo especialmente hecho para él. Y, como la mayoría de los poemas son de autores periféricos, “hablan el lenguaje del pueblo”, en palabras de Alisson. De ahí que muchas personas que nunca se habían acercado a la literatura descubran que la poesía puede ser algo mucho más cercano a ellos de lo que habían imaginado.

La vehemencia de Alisson es arrolladora, chispeante. “Muchos mostraban su reserva cuando les entregábamos el pergamino, creían que queríamos algo a cambio. Será que la gente no está acostumbrada a recibir regalos”, cuenta. Es quizá el más personal de los proyectos en los que está embarcado. Porque si algo no faltan son ideas en la periferia sur de São Paulo. Los saraos de poesía han crecido hasta conformar todo un movimiento social y cultural de muchas aristas: mientras las poesías escritas a mano por Michelle son entregadas en las improvisadas marquesinas de Campo Limpo, la bicicloteca de su amigo Binho recorre esos mismos lugares repartiendo libros. Porque, como dice Alisson, el conocimiento tiene que estar en circulación. La poesía debe estar en movimiento.
 
Por Nazaret Castro - Correspondente Poética